AUTOCUIDADO, A VACINA PARA PREVENÇÃO E MANUTENÇÃO DA SAÚDE MENTAL

Há mais de um ano em cenário de pandemia. E há mais de bilhares de anos, os indivíduos vivenciam diferentes situações de mudanças, perdas, catástrofes e revoluções. Se considerar na História da Humanidade o período de evolução inicial, os períodos de guerras, navegações, escravidão e de epidemias anteriores, será possível se dar conta do quanto foi e é exigido do Homem uma série de capacidades psicológicas.

Se seguir reparando a história da evolução humana, será possível perceber quanto sofrimento e situações estressoras o Homem já suportou. E ainda segue suportando, claro!

Atualmente, além de haver o contexto da pandemia, há uma série de particularidades ocorrendo, como: mudanças climáticas, corrupções políticas, dificuldades financeiras, violências, perdas pertinentes aos óbitos e adoecimentos variados. E como seguir dando conta do viver em meio as tantas informações e tantos caos?

Mais do que nunca, parece que o autocuidado se tornou mais necessário. Afinal, guerras particulares ocorrem com frequência, intensidade e em quantidade. Se trata da subjetividade de cada indivíduo adoecendo através do excesso de cobranças, informações, comparativos, afazeres, exigências, regras e constantes mudanças.

Excessos estes acima que podem levar a falta. Falta de tempo, falta de disposição, motivação, libido, diversão, estado de relaxamento, apetite, sentido de vida, confiança e outros. Mas no meio disso tudo, a única coisa que não pode faltar, mas que tende a ocorrer, é a falta de cuidado.

Autocuidado é a vacina da década! Ele é o recurso necessário para preservar a integridade da saúde física, mental, emocional, espiritual e relacional. Ele é a muleta necessária para fortalecer a resiliência, aliada este do Homem durante toda a evolução.

O autocuidado é para cuidar da vida, dos afazeres, dos problemas, dos relacionamentos, das finanças, dos sentimentos, dos anseios, dos sonhos, da doença e da responsabilidade de viver.

Para cuidar de si é preciso aproximar-se de si mesmo. É preciso reparar os limites, as necessidades, as dificuldades, os recursos de ajuda disponíveis, os desejos e também as próprias capacidades. Cuidar de si é um trabalho diário! É a atenção à relação mais importante que existe na vida, que é do ser consigo mesmo.

E para finalizar, um pedido e um bocado de dicas. Se cuide! Uma tarefa talvez um pouco difícil, mas possível e precisa. Além de protetiva e preventiva. Diga “SIM” ao autocuidado!

O bocado de dicas, conforme mencionado acima:

  • se exercite. No seu tempo, no seu ritmo e ao seu gosto
  • faça exames regulares
  • preserve seu descanso e seu sono
  • se relacione
  • pratique hobbies
  • mantenha a alimentação equilibrada
  • reserve momentos para passar um tempo sozinho(a)
  • pense e reflita sobre suas atitudes e emoções
  • se organize
  • se reconheça e se valorize
  • se aproxime dos seus recursos e redes de apoio
  • respeite seus limites

E por último, mas não menos importante:

  • FAÇA TERAPIA, caso você se identifique com a proposta dela

Aproveite este gesto de incentivo ao autocuidado e procure um profissional da Sociedade dos Psicólogos.

Por Tayna Wasconcellos Damaceno

REFERÊNCIAS:

BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Mundo. Ed. 3. São Paulo: Fundamento, Julho de 2015.

Covid: saúde mental piorou para 53% dos brasileiros sob pandemia, aponta pesquisa. BBC News, 2021.

Disponível aqui. Acesso em 31/07/2021.

HARARI, Yuval N. Sapiens: uma breve história da humanidade. Ed.1. Porto Alegre: L&PM, Março de 2015.

PASSOS, Letícia. Pesquisa mostra que 86% dos brasileiros têm algum transtorno mental. Veja, 2019.

Disponível aqui. Acesso em 31/07/2021.

04 Filmes que VOCÊ JÁ DEVERIA TER ASSISTIDO sobre Psicologia

Se você é estudante ou profissional de psicologia, estes filmes são considerados OBRIGATÓRIOS na sua lista.

A arte imita a vida ou a vida imita a arte?

Não é raro encontrarmos coincidências de fatos da vida em livros, peças de teatro, filmes, séries, desenhos e videogames. Mas em algumas ocasiões também visualizamos fatores apresentados nestes cenários, a princípio vistos com fictícios, eclodindo com um improvável e ensurdecedor eco de suas características em situações da realidade.

É pressuposto que o leitor compreenda as linhas cruzadas da arte na realidade não como causa, mas como efeito. Um sujeito não age em cópia ao cenário artístico por indução, influência ou sugestão da obra, mas pela localização deste cenário ser próxima a de um abrigo, de um acolhimento às representações de sua própria vida interior. Mesmo se estivermos falando de um sujeito cuja mente abrigou qualquer suposta clivagem, qualquer diáspora de palavras soltas do sentido, quando pensamos num alguém que carrega aquele discurso distante da realidade. Conforme conhecido a partir de alguns casos de psicose. Ainda nestes sujeitos, a busca de um sentido Ideal continua vigente, mesmo que parcialmente.

Longe da irresponsabilidade de reduzir estes casos à psicose ou qualquer outra estrutura não-neurotípica, utilizo este exemplo para ilustrar que o cenário ficcional é apenas mais um – dos inúmeros lugares para alguém que sofre de algum tipo de desorganização psíquica – hospedeiro dos discursos por trás ou por frente de cada ato. Toda ação é andarilha, errante e vagal até encontrar sua representação: cabendo ela na realidade ou não. E nesta encruzilhada entre aquilo que é da imagem, do simbólico e do real, é possível ver, bem decorada e jamais carente de acabamento: a casa, de alvenaria, que é a arte.

É através da arte que o garrancho, para quem o fez e o interpreta, encontra semelhança com o desenho e a pintura que foram bem feitos. É através desta ferramenta de compreensão e exibição da realidade humana, que uma música escuta um sujeito; que um filme oferece a narrativa que alguém tanto buscou em sua vida; com seu auxílio, um livro é capaz de realizar a leitura nunca antes feita da história de alguém, e uma peça de teatro exibe ao público toda a vida psíquica que parecia ser privada àquele ser. E o videogame oferece o controle, ou o joystick, sobre a ação dos [im]pulsos que não tinham nome ou história.

Em suma: se não for na arte, será em algum [O]outro [L]lugar que aquele sujeito irá depositar as economias de uma vida inteira, ou parcial, de pensamentos. Ele apenas empresta dela a cor, o movimento e, principalmente: o discurso e a narrativa. Coisas que, pela necessidade deste, seriam encontradas em algum o[O]utro l[L]ugar a qualquer momento.

E acredito que a pessoa que agora lê, já concluiu que a arte não se faz tão diferente para representar o que, silenciosamente ou ruidosamente, se apresentava na vida das pessoas. Ou seria possível a uma escritora ou escritor fugir de aspectos de sua própria história de vida? Não estariam representados na arte aquilo que quem a produz é, foi, será ou poderia ter sido? Não mora em cada personagem da dramaturgia um momento captado por retinas, labirintos do ouvido, ou receptores olfativos? Não está no sabor de uma obra algum registro que pousou nas papilas gustativas do autor? Ou estaria lá apenas o calor do corpo de outra pessoa, que em algum momento foi transmitido através de um toque, um gesto à pele, de quem mais tarde resolveu criar uma produção artística?

Se a autoria de uma obra de arte não foi vivida, sem dúvidas ela foi testemunhada. E a partir daí, seria no mínimo paradoxal que esta não pudesse vir a ser testemunho à realidade do espectador, que até então tanto esperava pelo seu próprio.

A seguir alguns destes exemplos. Se são, ou não, relato ou inspiração: que comentem as leitoras e os leitores!

01 – Clube da Luta – Fight Club – (1999):

Banner do filme (imagem encontrada gratuitamente na internet)

Aqui o personagem de Edward Norton não se mostra muito diferente da maioria da classe trabalhadora: insatisfeito com seu emprego atual, comprando compulsivamente coisas que imagina lhe trazerem satisfação e soterrando suas dores entre as múltiplas quatro paredes do dia-a-dia. A reviravolta se dá no encontro que este tem com o personagem de Brad Pitt. Conhecer Tyler Durden foi o ponto de partida para a criação do Clube da Luta e suas duas regras: 1) você não fala sobre o Clube da Luta; 2) Se é a sua primeira vez por lá, então você vai lutar.

O filme que abriga questões que vão desde um relacionamento abusivo, até os resultados das necessidades de se encontrar uma forma de expressão, ao que tanto fora suprimido pelo capitalismo e a masculinidade. Se este dito já não for, o restante é spoiler.

02 – Cisne Negro – Black Swan (2010)

Cartaz de divulgação do filme (imagem obtida gratuitamente na internet).

Neste filme, a atriz e psicóloga Natalie Portman encarna uma bailarina, que visualizará sua performance protagonizar a obra O Lago dos Cisnes. Entretanto, tamanho destaque na considerada Obra Magna de Tchaikovski, oferece à dançarina uma lupa sobre suas relações mais íntimas: com sua mãe, com seu talento e trabalho e até consigo mesma. Se é faltante ou excessiva a cisão de sua personalidade para lidar com cada um estes aspectos, é uma análise que caberá a quem assistiu ou está em atraso para assistir esta obra magnífica.

Quais aspectos do psiquismo humano são evidenciados neste filme? Por gentileza, minha cara leitora e meu caro leitor, faça, em partes, como nossa dançarina: seja protagonista! Comente aqui suas impressões!

03 – Ilha do Medo – Shutter Island (2010):

Cartaz de divulgação do filme. Imagem obtida livramente na internet.

Nesta película, a investigação mais importante a ser feita não é, definitivamente, os motivos que cercam a óbvia preferência do premiado diretor Martin Scorcese por um tal ator, visto pelos fãs como o maior injustiçado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Óscar.

Mas uma outra investigação se torna o portal de entrada na imersiva narrativa do filme: um agente do FBI investiga o desaparecimento de uma pessoa que, além de ter escapado de um hospital destinado a criminosos acometidos de transtornos mentais, também tem em seu histórico um grave assassinato. Um filme solidário ao espectador: coloca-o dentro da ilha que abriga todo tipo de possibilidade. Quem assiste ao filme, descobre-se ali como mais um dos investigadores.

Há apenas uma forma deste caso nunca ser solucionado: se quem lê este artigo sucumbir à procrastinação de conhecer melhor a si e à psicologia como ciência e profissão, isso é: continuar sem assistir a este filme.

04 – Uma Mente Brilhante – A Beautiful Mind (2001)

Cartaz de divulgação do filme. Imagem obtida livremente na internet.

Este filme jamais deixaria de ser recomendado pela Sociedade dos Psicólogos. Muito menos por este colunista que vos escreve. Ele não foi deixado por último: ele na verdade foi o primeiro a ser comentado. Existe um post exclusivo, feito sobre a biografia em que se baseou esta obra: a do matemático e ganhador do Prêmio Nobel de Economia, John Forbes Nash. E você conhecerá gratuitamente clicando aqui.

Voltando ao filme: como seria possível explicar os atalhos que as sinapses de um gênio tomam, de maneira tão inadvertida, a ponto de causarem espanto naqueles que testemunham os destinos de tais rotas alternativas? É difícil encontrar qualquer gênio que ainda não tenha sido confundido com um louco. Em verdade, é mais frequente (e não menos frustrante), encontrarmos sentido antes no delírio do que na genialidade de alguém. Se isso se deve ao fato de um delírio eventualmente compartilhar algo que poderíamos nós mesmos ter pensado, não cabe agora discutirmos.

Outro cartaz de divulgação do filme. Imagem obtida gratuitamente na internet.

Mas, sem dúvidas, este emocionante filme estrelado por Russell Crowe, retira do espectador, por alguns breves momentos, tanto a certeza da própria genialidade, como da própria sanidade. Narrando a trajetória de John Nash dentro da Universidade de Princeton, a trama aponta como o excêntrico aluno se tornou professor, marido, pai e ganhador do Premio Nobel. Mas não faz isso sem transitar pelas adversidades que envolveram estas posições na vida do matemático. E talvez o fato deste filme ser Vencedor de 4 Estatuetas do Óscar convença mais o leitor do que a retórica deste parcial colunista que vos escreve.

E como falamos de matemática, aqui vai uma equação aos leitores e às leitoras:

assistir ao filme + indicá-lo a quem também se interessa por psicologia = não fazer mais do que a obrigação

(e aqui é feita propositalmente uma alusão à frase muito comumente utilizada por figuras de autoridade, no mero (e não necessariamente perverso!) intuito de evocar, nesta recomendação, a força de seus respectivos Supereus).

Portanto, separem a pipoca, o chocolate, refrigerante, vinho, cerveja, cigarros, charutos e todos os confortos que um retorno, via objetos de transição, à fase oral podem proporcionar! Desejo a vocês a melhor das [re]vivências da pulsão escópica: uma boa sessão de cinefilia!

Por Caio Cesar Rodrigues de Araujo Santos

A natureza chama a Psicologia e todo e qualquer indivíduo

A proximidade do ser humano a natureza, como compromisso de cuidado seu e da Psicologia.

“REIMAGINE. REICRIE. RESTAURE.”, este é o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente, neste mês de Junho de 2021.

Tema tendenciosamente curioso que pode despertar ao novo. Afinal, ele aparenta retratar sobre o recomeço. E recomeço do quê ou de quem? Do Meio Ambiente, claro! Mas principalmente da relação do ser humano com a natureza. Um convite para restabelecer esta relação através do gesto de cuidado, respeito, responsabilidade, consciência e principalmente, de reaproximação do homem a natureza.

De acordo com os últimos noticiários e depoimentos a respeito das mudanças climáticas e ambientais, “O clima não está bom… e vai piorar!”, título do artigo publicado pela Greenpeace, em Maio de 2021, faz referência a situação atual do Brasil. Segundo especialistas da organização, o país vivencia problemas vinculados ao “aumento de C02, poluição, chuvas em excesso, enchentes e inundações, deslizamentos de terras, aumento do nível do oceano, perda de espécies e secas em algumas regiões.”

E fica uma instigante questão? Qual é o sentido de abordar sobre o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente e de sinalizar sobre a problemática ambiental do país, em uma página voltada ao público cativado pela Psicologia e seus estudos?

O sentido desta curiosa ponte é que cabe a Psicologia estudar o homem enquanto ser biopsicossocial. E assumir a responsabilidade em cultivar práticas e ações que preservem a vida do ser humano, contribuindo para o gesto de autocuidado e de cuidador. E é nesta exata tarefa, que a Ecopsicologia retrata sobre a importância em minimizar comportamentos destrutivos e de negligência, que coloquem a natureza em risco, assim como a vida do homem.

Onde houver natureza, haverá vida humana. Mas onde houver vida humana, haverá natureza?

O homem se enquadra como o ser originário da natureza, assim como as árvores, os animais, a água, o ar e outros. Porém, será que o homem mantém condições de viver sem estas outras formas de natureza? Aparentemente, um tanto quanto distante e com certas dosagens dela, ele mantém condições de se sobreviver. A exemplo é possível citar a sociedade que em sua grande maioria reside em zonas urbanas, com rotinas extensas de trabalho e de proximidade aos aparelhos tecnológicos. Se distanciando assim, de zonas rurais ou de paisagens naturais. E claro, é desta forma que os indivíduos em sua grande maioria seguem vivendo, em paralelo a globalização que também vai ganhando cada vez mais vida.

E como contraponto, sabe o que também se amplia? Os problemas de saúde, transtornos mentais, questões como pobreza e desigualdades. A distância e o descuido com a natureza aumentam, o cuidado com a economia material e financeira se amplia, e a saúde se coloca em risco. A vida humana sem as outras formas de natureza se aproxima de limites. E esta é a uma das mensagens da Ecopsicologia, a fim de fortalecer a conscientização de que o ser humano enquanto homem que se assemelha a sua natureza ao seu redor. E que assim como ela, carece de cuidado, de atenção, de respeito, de conhecimento e autoconhecimento, de relação, de troca e de mudanças.

A natureza muda o tempo todo! E neste momento a perspectiva futura é de que ela seguirá mudando, mas não em uma condição infinita e controlável. Mas sim como tudo na vida, finita e carente de cuidado. Neste momento, estudos apontam que ela se encontra desprotegida, ameaçada, isolada e em risco. É preciso cuidá-la! Seu boletim médico se assemelha muito as estatísticas da sociedade. Parece que seus quadros são um tanto quanto parecidos. É preciso cuidá-los!

E como dá conta disso?

Usando ainda da analogia sobre avalições médicas, em alguns casos, pessoas que se deparam com a notícia de um diagnóstico ou a descoberta de um processo de adoecimento, tendem a negar a situação. Tendem a afastar-se dos gestos de autocuidado e se envolverem com ações mais destrutivas, mais prejudiciais, recorrendo até mesmo aos vícios, por exemplo. Assumir e aceitar o que ocorre consigo mesmo dói! Mas tende a doer mais ainda manter ações que ferem a permanência da própria vida. Negligenciar custa caro.

Mas e o que fazer? Assumir e aceitar aparentam ser ações difíceis!

O caminho é se aliar ao processo de se amparar de informações, esclarecer dúvidas, traçar novos objetivos e expectativas dentro das condições favoráveis, cultivar novos hábitos e seguir com as providências prescritas com gesto de confiança e esperança por uma evolução melhor. O caminho é de se aproximar desta situação, para sentir afeto e se vincular, assumindo a responsabilidade rumo às melhores mudanças.

A natureza adoece e o ser humano também. Mas um tem condições de amparar e de cuidar do outro. Mas é preciso “REIMAGINAR, RECRIAR E RESTAURAR“. E a Ecopsicologia parece ser a possível facilitadora para este recomeço e reparo desta relação. Suas práticas são terapêuticas, e mantem o homem próximo a SUA natureza, interna e externa. Ela é interdisciplinar e transdisciplinar. Ela é nova, mas sua missão vai de encontro com o conceito inicial da Psicologia, com o propósito de manter ações preventivas e de cuidado com a saúde biopsicossocial do indivíduo. Ou seja, nunca fez tanto sentido a Psicologia manter a devida atenção à saúde e se aproximar das questões ambientais da sociedade.

Este é o nosso momento.

Não podemos voltar no tempo. Mas podemos cultivar árvores, tornar nossas cidades verdes, renovar nossos jardins, mudar nossas dietas e limpar rios e encostas. Somos a geração que pode fazer as pazes com a natureza.

Vamos ficar ativos, não ansiosos. Sejamos ousados, não tímidos.

Junte-se a #GeraçãoRestauração!

Mensagem de campanha da World Environment Day

Como cultivar o cuidado da relação com a natureza?

  • Aproxime-se de conteúdos informativos ou de entretenimento que compartilham informações sobre o funcionamento, contexto atual e formas de cuidar do meio ambiente. Sites de artigos e notícias, blogues, filmes, documentários e séries são ótimos canais para resgatar esta relação com a natureza.

A informação favorece o processo de conscientização. E em paralelo, contribui para o manejo de afeto e vínculo com a situação, propiciando ao senso de responsabilização e de ação

  • Mantenha hábitos alimentares saudáveis, a fim de preservar recursos naturais que carecem de cuidado

  • Pratique atividades em locais de paisagens naturais. Mantenha-se atento e usufrua de seus detalhes

A prática de atividades físicas, principalmente em locais em contato com a natureza, promove bem-estar e contribuem para saúde.

  • Vincule-se às marcas, organizações e ações que investem neste compromisso de cuidado. E atente-se as instituições que potencializam os prejuízos ambientais

  • Permita-se conhecer mais sobre e Ecopsicologia e suas formas de atuação, seja como profissional e/ ou cliente deste segmento

  • Faça psicoterapia

É difícil dar conta de tudo! E muitas vezes compreender e mudar comportamentos que se apresentam prejudiciais muitas vezes também são atos com suas dificuldades. E a psicoterapia pode ser um caminho pra ajudá-lo a REIMAGINAR, RECRIAR E RESTAURAR.

Por Tayna Wasconcellos Damaceno

Referências

DOSS, E.; RODRIGUES, E. P.; BAVARESCO, A. M.; BAVARESCO, P. R. ECOPSICOTERAPIA: A NATUREZA COMO FERRAMENTA TERAPÊUTICA. Anuário Pesquisa e Extensão Unoesc São Miguel do Oeste[S. l.], v. 3, p. e19698, 2018.

Disponível aqui. Acesso em 11/06/2021


SILVA, K., & SAMMARCO, Y. RELAÇÃO SER HUMANO E NATUREZA: UM DESAFIO ECOLÓGICO E FILOSÓFICO. Revista Monografias Ambientais, 14(2), 01-12., 2015.

Disponível aqui. Acesso em 11/06/2021

Contardo Calligaris (1948 – 2021)

Homenagem ao psicanalista que soube escutar o Brasil como ninguém

Contardo Calligaris fez parte da minha formação de forma única. Sua escrita me fez pensar e refletir sobre a condição humana desde o começo da minha trajetória como terapeuta. Seus textos foram fundamentais para a minha pesquisa e entendimento da diversidade humana e das várias formas de “estar no mundo”.

Lembro-me inclusive de um episódio no final da minha graduação, quando, após um ano de estágio clínico supervisionado, nossa professora nos pediu para redigir uma carta a nós mesmos, como terapeutas no início daquele ano. Clara alusão a seu texto “Cartas a um Jovem Terapeuta”(2004). Ela mesmo, tendo sido aluna direta dele 🙂

Com o recente falecimento do psicanalista, pensei em fazer este pequeno texto reunindo um pouco de sua Formação e Ensino, e suas principais obras publicadas.

Formação e Ensino

“O que me interessa não é ser feliz, mas sim ter uma vida interessante”.

Calligaris, Contardo
Contardo Calligaris

Italiano, nascido em Milão, em 1948, seus pais fizeram parte da resistência Anti-fascista durante a Segunda Guerra Mundial. Sua primeira formação foi em Epistemologia Genética, na Suíça, tendo estudado com Jean Piaget (1896-1980). Posteriormente, graduou-se em Letras, o que o permitiu lecionar teoria da literatura.

Depois, já em Paris, sob a orientação de Roland Barthes (1915-1981), trabalhou em seu doutorado em Semiologia. Passou a ser atendido por Serge LeClaire, e se interessou então por Psicanálise, frequentando os seminários e apresentações de pacientes de Jacques Lacan (1901–1981).

Fez um segundo Doutorado em Psicologia Clínica, focando sua tese no tema “A Paixão de Ser Instrumento“, discutindo os efeitos e narrativas da ascensão de autoritarismos e governos totalitários.

O primeiro contato com o Brasil se deu depois da publicação por aqui de Hipótese sobre o Fantasma em 1986. Passou a visitar o país com certa frequência para proferir seminários, palestras e atender pacientes. Foi membro-fundador também da APPOA (Associação Psicanalítica de Porto Alegre).

Foi também Professor de Antropologia na Universidade da Califórnia em Berkeley, e de Estudos culturais na The New School em Nova Iorque, se revezando entre Brasil e EUA até meados de 2004, atendendo pacientes dos mais diversos.

A partir da publicação de “Hello, Brasil” (1981) é convidado a escrever na Folha de São Paulo, onde, desde 1999 escrevia semanalmente, nas “saudosas quintas-feiras”. Lá escrevia sobre tudo, desde os percalços da sexualidade humana à condição política e histórica do país.

É importante notar o caráter cosmopolita da trajetória de Contardo, foi verdadeiramente um homem do mundo.

Principais Obras

Contardo Calligaris

Além de escrever na já citada coluna semanal das quintas-feiras na Folha de S. Paulo, Calligaris publicou diversos títulos psicanalíticos e romances. Listo aqui alguns dos principais textos voltados (ou não) à comunidade Psi.

Hipótese sobre o Fantasma (1983)

Hipótese sobre o Fantasma (1983)

Em Hipótese sobre o Fantasma, sua primeira publicação psicanalítica, Calligaris aborda a questão do atravessamento do fantasma, entendimento de como seria o final de análise na Clínica do Simbólico (Primeira Clínica de Lacan).

Introdução a uma Clínica Diferencial das Psicoses (1989)

Introdução a uma Clínica Diferencial das Psicoses (1989)

Uma série de sete seminários proferidos por Contardo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1989, foram transcritos e publicados como livro nesta obra. Temas como a estrutura psicótica, desencadeamento e evolução da crise e diferenciação das psicoses são alguns dos temas discutidos pelo psicanalista. Se constitui como referência para o estudo das psicoses à partir do entendimento lacaniano da psicanálise.

Hello, Brasil (1991)

Hello, Brasil. Psicanálise da estranha civilização brasileira (1991)

Hello, Brasil se afigura, para mim, como uma das análises mais precisas do laço social e histórico do Brasil. Nele, Contardo “coloca o Brasil no divã”, pensando os sintomas sociais à partir da perspectiva psicanalítica. Segundo o próprio autor, esse seria um livro de viagem, escrito à partir da perspectiva de um estrangeiro.

Teve uma republicação em 2017 onde foram adicionados alguns ensaios a partir da vivência de Contardo na nossa “estranha civilização”.

Cartas à um jovem terapeuta (2004)

Cartas a um Jovem Terapeuta (2004)

Talvez este seja o texto mais difundido entre estudantes de Psicologia no começo de seus estágios supervisionados. Em Cartas à um jovem Terapeuta, Calligaris passeia por diversos pontos de ansiedade de todos aqueles que se destinam à prática clínica. Fala sobre Vocação Profissional, Amores terapêuticos e O que fazer para ter mais pacientes?

Coisa de Menina? (2019)

Coisa de Menina? Uma conversa sobre Gênero, Sexualidade, Maternidade e Feminismo (2019)

Em parceria com Maria Homem, Calligaris publicou seu último livro com o formato de uma conversa, de diálogo entre os psicanalistas sobre Gênero, Sexualidade, Maternidade e Feminismo. Temas como Lugar de fala, constituição de Gênero e Limites entre gozo e assédio são alguns dos pontos de parada dessa viagem.

Para além dos textos “psicanalíticos”, Contardo escreveu 2 romances centrados em Carlo Antonini, quase um alter-ego de Calligaris. No primeiro, “O conto do amor” (2008), à partir da morte de seu pai, Antonini busca as origens de sua família no norte da Itália e desvenda segredos do passado. No segundo, “A mulher de vermelho e branco” (2011), uma trama que envolve passado e presente entre Nova York, São Paulo e Paris, Antonini se vê dentro de um verdadeiro “thriller psicanalítico”.

As estórias de Carlo Antonini foram adaptadas para as telas na série de televisão Ps!, pela HBO, contando com Emílio de Mello no papel principal. Com 04 temporadas ao total, o seriado explora temas complexos como Abuso, Assédio e Suicídio, sempre com  o foco na diversidade da experiência humana.

Emílio de Mello em Ps!, da HBO)

Publicou também coletâneas com algumas de suas colunas na Folha de São Paulo, reunidas e organizadas por temáticas. Entre elas destaco “Os Reis estão Nus” (2013).

Deixo aqui linkado também sua participação no Roda Viva em 2017, onde ele fala sobre um pouco de tudo, de A à Z, como era seu costume.

Contardo Calligaris no programa de televisão Roda Viva, em 2017)

Um clínico exímio, um dos principais pensadores críticos do país se foi, mas deixou uma obra importante e tão atual como sempre. Escutou o Brasil como poucos.

Obrigado por tanto, Contardo.

(Autógrafo de Contardo na minha edição de Hello, Brasil)

Até a próxima,

Igor Banin

O dia em que procurei um terapeuta existencial

Aconteceu quando eu ainda era um estudante de psicologia, que como outros passou boa parte da graduação pensando não precisar da tão falada psicoterapia, mas com a realidade dos atendimentos chegando tão rápido, decidi ir e falar de uma ou outra coisa que me incomodava, “bobagem sabe”, “coisa do dia a dia”, “coisas que todo mundo vive”. Então foi assim, escolhi um profissional que já conhecia, sabia ser alguém sério, marquei a sessão e fui, chegando lá não sabia muito bem o que dizer, na sala de espera já me perguntava se realmente tinha sido uma boa ideia, por que afinal “eu não precisava, era só pela faculdade mesmo”. Deu o horário, o terapeuta me acompanhou até o consultório, eu escolhi uma poltrona e me sentei, e aí, a partir desse momento comecei uma das melhores experiências da minha vida.

Conversei por uma hora com outra pessoa que realmente me ouviu, que estava atento a cada palavra, que demonstrou profundo interesse por cada banalidade ou “besteira” que eu contava e que fui percebendo não ser tão banal assim, e que nem era tanta “besteira”, que ali haviam coisas importantes que precisavam sair de dentro do meu imaginário, que precisavam ser ditas em voz alta, não para o psicólogo, mas para mim mesmo.

Ao contrário do que eu esperava, não houveram muitas perguntas, mesmo estudando psicologia, eu ainda carregava o estereótipo das mídias de que o terapeuta vai te aplicar “zilhões” de perguntas, de que ele iria querer invadir meus mais profundos segredos e que de alguma forma poderia até mesmo saber se eu estivesse mentindo em algum momento, mas não as poucas perguntas que vieram foram simples, diretas e cirúrgicas, e talvez nem fossem bem perguntas, era o famoso “fale mais sobre isso” ou “como é isso pra você”, mas foi tão bem aplicado, que me levava a pensar em respostas e relacionar vivencias e sentimentos que eu nunca havia considerado, que talvez nunca tivesse de alguma forma relacionado.

Logo nessa primeira sessão, passei a compreender que força e coragem frente a vida não tinham nada a ver com aguentar tudo calado, ou suportar a dor sem demonstrar, mas sim tem relação com compreender, ter a real bravura de encarar-se, de sentir de verdade e saber o motivo do que se sente, de avaliar as escolhas, boas e ruins e lidar de verdade com a responsabilidade, e não com viver a famosa má-fé de “está tudo bem”, logo de cara aprendi a importância que meus sentimentos e emoções tinham e quando  eles precisavam ser demonstrados e expostos, assim como passei a pensar que haviam momentos que eram só meus, e tudo bem. Passei a me aceitar melhor, fisicamente e emocionalmente, e a não esperar tanto o julgamento dos demais sobre a vida, mas sim ter a minha percepção e criar consciência desta.

Quando a sessão acabou, eu saí do prédio e senti algo inédito, uma profunda leveza, um alívio enorme, como se existisse um peso invisível sob meus ombros que tinha finalmente sido aliviado. O que quero dizer aqui é que com um terapeuta existencial, encontrei empatia e acolhimento, encontrei realmente um espaço meu que não simplesmente me ligou a uma pessoa que tinha técnicas de psicologia para aplicar em mim, mas que me colocou realmente em contato comigo mesmo.

Deixo este relato, pois tenho a esperança de que por aí tem uma outra pessoa nesse ponto crítico de ir ou não a terapia, e espero que essa vivência possa auxiliar na sua escolha.

Atenciosamente

Patricio Lauro