[VÍDEO] Psicólogo explica: o que é Transtorno de Personalidade Borderline?

Você provavelmente já ouviu falar neste nome. Borderline? O que é isso? O que isso significa? Qual é a diferença de Transtorno de Personalidade Borderline, Limítrofe e Fronteiriço? Qual é a diferença deste transtorno para o Transtorno Afetivo Bipolar?

O texto de hoje tentará explicar tudo isso. E você poderá ter uma explicação detalhada com o vídeo que foi produzido especificamente sobre este tema e encontra-se no final deste artigo, cuja leitura é recomendada para melhor entendimento do vídeo.

Transtorno de Personalidade Borderline

Me chamo Caio Cesar, sou psicólogo e psicoterapeuta. E, recentemente, me deparando com muitas dúvidas e também com informações dúbias sobre este transtorno, acredito que este se tornou um tema apropriado para ser explicado por um profissional da área em um vídeo.

O que é?

O transtorno de personalidade Borderline é um transtorno de personalidade. Com sinais e sintomas descritos tanto no DSM-V (manual estatístico e diagnóstico dos transtornos mentais, editado pela American Psychiatric Association – APA) como no CID 11 (Classificação Internacional de Doenças, editado pela OMS). Ele também pode ser chamado de Transtorno de Personalidade Limítrofe ou Transtorno de Personalidade Fronteiriço. Ambas as versões são uma tradução da palavra “borderline” que, em inglês, numa tradução literal, significaria “linha de fronteira”.

Tal nome já inicia a explicação sobre este transtorno, pois pacientes diagnosticados com ele pareciam, aos médicos que os, tratavam estarem no limite, na fronteira, na borda da realidade com o que se entende por psicose. A “linha de fronteira” entre a neurose e a psicose.

Quais os principais sintomas?

Entre os principais sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline, podemos citas sintomas como:

  • Sensação constante e desproporcional de abandono e/ou negligência;
  • Mudança brusca de humor, ponto de vista, crenças, valores e objetivos de vida;
  • Dependência elevada de cônjuges, familiares e amigos;
  • Instabilidade emocional;
  • Explosões de raiva, crises de choro abruptas;
  • Automutilação; tentativas recorrentes de suicídio, entre outros.

AVISO IMPORTANTE:

O diagnóstico de um transtorno mental, principalmente de um transtorno de personalidade é algo que deve acontecer apenas a partir de uma avaliação multi e interdisciplinar de profissionais qualificados da área da saúde mental, como por exemplo, psicólogos (as) e psiquiatras. Se você se identificou com um ou mais destes sintomas isso não necessariamente significa que você possui este transtorno, pois sintoma não é sinônimo de diagnóstico.

É possível confundir um diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline com o de outros transtornos?

Sim, e frequentemente isso acontece. Infelizmente. Daí vem a importância de um diagnóstico não se basear apenas em sintomas e, ainda que se tenha uma hipótese diagnóstica robusta, é preciso fazer um diagnóstico diferencial. No caso do Transtorno de Personalidade Borderline, alguns transtornos fazem parte da lista que deve ser eliminada antes de um diagnótico fechado.

Na maioria das vezes, o transtorno de personalidade limítrofe é diagnosticado equivocadamente como

  • Transtorno Afetivo Bipolar: também caracterizado por grandes variações no humor, comportamento e sono. Contudo, no transtorno de personalidade borderline, o humor e o comportamento mudam rapidamente em resposta a estressores, especialmente os interpessoais, enquanto no transtorno bipolar o humor é mais sustentado por mais tempo e menos reativo. E as pessoas costumam ter alterações significativas de energia e atividade.
  • Transtorno de personalidade histriônica (saiba mais sobre histeria clicando aqui) ou transtorno de personalidade narcisista: pacientes com algum desses transtornos buscam atenção e são manipuladores, mas os que têm transtorno de personalidade limítrofe também se consideram maus e se sentem vazios. Alguns pacientes atendem aos critérios dos transtornos de personalidade antissocial.
  • Transtornos depressivos (entenda mais sobre estes clicando aqui) e transtornos da ansiedade (conheça mais sobre estes clicando aqui e aqui): esses transtornos podem ser diferenciados do transtorno da personalidade limítrofe, ou borderline, pela autoimagem negativa, instabilidade dos vínculos e sensibilidade à rejeição, que são características proeminentes do transtorno de personalidade limítrofe e geralmente estão ausentes nos pacientes com um transtorno de humor ou ansiedade.
  • Transtornos de dependência química (temos um texto que trata especificamente sobre este assunto, clique aqui para acessá-lo);
  • Transtornos de estresse pós-traumático

Alguns dos transtornos que fazem parte do diagnóstico diferencial do transtorno de personalidade limítrofe também podem coexistir, ou seja: a pessoa poderá ser diagnosticada simultaneamente tanto com o Transtorno de Personalidade Borderline, como com um Transtorno de Ansiedade ou um Transtorno Depressivo, por exemplo.

É por este e outros motivos que o diagnóstico do Transtorno de Personalidade Limítrofe é um dos mais difíceis de se fechar, portanto é preciso sempre escolher bons profissionais e estes devem ter muita cautela ao fechar este diagnóstico.

Tratamento

O tratamento para o Transtorno de Personalidade Borderline envolve psicoterapia e, muitas vezes, medicação, prescrita por um médico psiquiatra que realize um trabalho em conjunto com o psicoterapeuta.

Filmes e Séries (alerta de spoiler)

Para ilustrar um pouco mais sobre o transtorno, separei alguns filmes e séries em que atores e atrizes tentaram dar vida ao contexto de pacientes que sofrem do transtorno. Segue a lista:

Atração Fatal (1987)

Sinopse:  Thriller/Drama ‧ 1h 59m – A vida de Dan Gallagher (Michael Douglas) não poderia estar melhor. Advogado de sucesso, ele vive um casamento feliz e tem uma linda filha. Até que um dia ele conhece a executiva Alex (Glenn Close), com quem tem um caso. A amante começa a exibir um comportamento descontrolado e obsessivo, e logo Dan termina o breve relacionamento. Alex não aceita ser rejeitada e começa a fazer da vida de Dan um verdadeiro inferno.

Garota Interrompida (1999)

 2h 07min / Drama, Biografia
Sinopse: Em 1967, após uma sessão com um psicanalista que nunca havia visto antes, Susanna Kaysen (Winona Ryder) foi diagnosticada como vítima de “Ordem Incerta de Personalidade” – uma aflição com sintomas tão ambíguos que qualquer garota adolescente pode ser enquadrada. Enviada para um hospital psiquiátrico, ela conhece um novo mundo, repleteo de jovens garotas sedutoras e transtornadas. Entre elas está Lisa (Angelina Jolie), uma charmosa sociopata que organiza uma fuga.

Sessão de Terapia (3ª Temporada) – Paciente Bianca (Letícia Sabatella)

Sinopse: Nesta terceira temporada, Theo retorna de um período de descanso e reflexão. No entanto, assim que retoma suas atividades, descobre que seu filho mais velho está atravessando um momento muito difícil. Esse drama familiar fará com que Theo tenha a oportunidade de se aproximar do irmão Nestor e dos seus outros filhos.
Theo continuará atendendo e a cada dia acompanharemos o trajeto de um novo paciente. Bianca Cadore uma mulher casada e que ama demais, Diego Duarte um adolescente alcoólatra, Felipe Alcântara um jovem empresário que não consegue assumir sua preferência sexual e Milena Dantas, viúva de Breno Dantas, que aparenta ter Transtorno obsessivo compulsivo.
Nas sextas Theo tentará uma nova abordagem e entra num grupo de supervisão com outros terapeutas, Rita Sanchez, Guilherme Damasceno e o supervisor Evandro Mendes. A terceira temporada da série conta com roteiros originais, uma vez que a a série original teve apenas duas temporadas

[VÍDEO] EXPLICANDO O TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

Interaja conosco! Queremos saber sua opinião! Deixe seu feedback, suas dúvidas e sugestões nos comentários. Até o próximo texto!

Por Caio Cesar Rodrigues de Araujo

Neste texto, o Psicólogo Caio Cesar Rodrigues de Araujo Santos(CRP 06/139621) fala sobre características, sintomas e tratamento do transtorno de personalidade borderline.

Saiba mais sobre nosso sócio-colunista pelo link: https://spsicologos.com/quem-somos/caio-cesar-rodrigues-de-araujo/

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É possível conversar e aprender racionalmente durante o Sonho? Sonhos Lúcidos e a Interação com o Mundo Externo.

Você não deve conhecer esta palavra, mas provavelmente deve conhecer (ou temer) o que ela representa: soniloquismo — ou falar enquanto dorme — é uma manifestação normal da atividade cerebral. Por isso, é considerado um distúrbio do sono benigno, ou seja, que não costuma indicar nenhum tipo de doença grave.

Muita gente morre de medo do que pode ser dito durante o sono. Principalmente as crianças, adolescentes e os casais. Uma vez que toda a nossa privacidade está concentrada ali. Já pensou se nem isso pudéssemos esconder de nossos pais ou pares?

Já sabemos através deste e deste artigo que os Sonhos representam uma parte de nossa atividade psíquica que não pôde ser completa ou parcialmente realizada, simbolizada e/ou significada durante nossa vida em vigília. Ou ainda aquela que gerou algum tipo de impacto direto ou indireto em nossos eternos conflitos entre as imposições da realidade e o ímpeto de buscar realização e/ou satisfação de nossa vida.

Inclusive foi possível perceber o porquê de estarmos sonhando mais durante o início da quarentena, imposta pela pandemia, neste texto aqui. Fato que não era difícil de se imaginar acontecendo, uma vez que nossas liberdades de movimento, de satisfação sexual, de lazer e conexões interpessoais foram amplamente cerceadas, interditadas por uma real ameaça à vida – própria e alheia. Não seria tão surpreendente que a gente encontrasse um cantinho só nosso para beber alguns pingos de todas aquelas necessidades necessariamente reprimidas.

Enfim, não é atoa que dá um medinho ser descoberto por tudo isso numa posição totalmente desprevenida. Mas o alívio de muita gente é que raríssimas vezes o que é falado nessas tem algum sentido para quem escuta ou sequer é lembrado por quem sonha. E algumas pessoas, mesmo que acordadas por alguns instantes, se voltarem a dormir sequer terão conhecimento de qualquer interação ali realizada. Mas existiria alguma forma de tornar este diálogo mais consciente?

Seria possível interagir durante um sonho?

Contudo, apesar de muitas pessoas falarem (e temerem o que é dito) durante o sono, é muito comum que haja apenas uma verbalização irracional de um fragmento do sonho. Um processo completamente inconsciente, que só se encontraria sentido a partir de extensa análise metafórica e metonímica dos significados ali presentes. No entanto, os cientistas da equipe do Dr Ken Paller, da Universidade Northwestern (Northwestern University), localizada em Evanston, no estado de Illinois, nos Estados Unidos realizaram um estudo com pessoas consideradas “sonhadores lúcidos – aquelas que durante um sonho alegam saber que aquilo é um sonho de fato, podendo algumas até controlar/escolher o que acontece ali – questionando exatamente isso: É possível conversar e aprender racionalmente durante o Sonho?

Seria possível aprender, interagir, obedecer ou até raciocinar a partir do que é introduzido por quem está “do lado de fora” daquele nosso pequeno e gigante parque de realizações privadas?

O Estudo

Conforme já sabemos, todos nós sonhamos. Podemos até não lembrar de nossos sonhos, mas sonhamos. E não estamos sozinhos nessa: do cachorro ao elefante, os animais também compartilham deste resquício de pensamentos que se transformam em imagens durante o descanso de nosso organismo.

A própria neurociência acredita que os sonhos ajudam no nosso processamento de memórias, inclusive aquelas que não temos mais acesso de prontidão. E como as memórias, os sonhos também não nos são de total acesso. Sabemos apenas a parte que lembramos, que por si só pode não ser mais tão completa. E esta foi uma das barreiras que os cientistas também encontraram no estudo, já que ficaram à mercê de dois fatores: os participantes, ou sonhadores, assim como nós, não podiam fala propriamente e diretamente com ninguém durante o sonho, relatando-o em tempo real; bem como sobraria aos pesquisadores o relato não necessariamente confiável daqueles que despertaram do sonho.

Mas antes de chegarmos diretamente a pesquisa, é preciso conhecermos um pouco mais sobre o sono e suas características, uma vez que a pesquisa aconteceu em um momento específico deste fenômeno que nos permite reorganizar o corpo e a mente.

Os Estágios do Sono

Estágio 1

Adormecimento: é aquele momento de transição entre a vida de vigília e seu final, que dá lugar ao sono. Sua duração cerca os 15 minutos e é introduzida a partir de algum tipo de relacionamento. É preciso reduzir o nível de alerta para que os músculos relaxem e a respiração fique mais leve.

Estágio 2

Sono leve: neste estágio os estímulos externos começam a se tornar cada vez mais irrelevantes para o cérebro. Alguém tocar em você não necessariamente irá despertar uma resposta, bem como os barulhos (leves ou intensos, variando de acordo com a personalidade) passam a ser ignorados. Seus batimentos cardíacos estarão cada vez menos intensos e o corpo terá uma temperatura menor do que no estado de vigília. É como se aqui o corpo se preparasse para o sono profundo.

Estágio 3

Assim como no estágio um, aqui há mais um momento de transição. Mas desta vez, ao invés de partir do estado de vigília para o estado de sono, é uma transição entre o sono leve e o sono profundo, com uma considerável redução da atividade cerebral somada a um relaxamento muscular.

Estágio 4

Sono Profundo: aqui é onde descansamos de fato. Apesar de não haver uma cessão da atividade cerebral, seus níveis mais baixos encontram-se neste momento. Há aqui uma regeneração celular e liberação do hormônio do crescimento, por exemplo. Aqui o corpo se revigora. É onde ocorre a reconstrução de fibras musculares rompidas em um treino de musculação, por exemplo. A sensação de que uma noite de sono foi “mal-dormida” está amplamente ligada à capacidade de adentrar ou permanecer neste estágio.

Sono REM

A equipe de Ken Paller começou do ponto de que os sonhos lúcidos estariam associados a um estágio específico do sono, chamado de sono REM, cuja sigla significa Rapid Eye Movement (movimento rápido dos olhos). Neste estágio, que ocorre logo após a etapa do sono profundo, há uma atividade cerebral quase tão intensa quanto no estágio de vigília. Com movimentos musculares, liberação de hormônios e até raciocínio lógico. Este é o berço da vida onírica tão acalmada por Freud.

Pesquisa, Método e Resultados

Pesquisas já apontam que estímulos externos podem sim, ter influência nos sonhos que temos. Mas a pesquisa em questão, publicada na revista Current Biology, procurou saber se era possível “encontrar” estas pessoas no sonho e obter respostas.

Dr. Paller e seus colegas, também cientistas, da França, Holanda e Alemanha, reuniram 35 voluntários já treinados a terem consciência de seus estados mentais – exatamente para que soubesse distinguir se estariam acordados ou em um sonho. Não seria errado, ou um chiste ruim, dizer que este sim, é o verdadeiro Dream Team.

Eles também foram treinados a realizarem movimentos distintos para a esquerda/direita com os olhos, tanto para indicar se estavam acordados ou em um sonho, como para responder as questões que seriam feitas. Eles também praticaram a identificação de números, transmitidos como flashes de luz, toques no braço ou até através de palavras que lhes seriam ditas. Observe na imagem abaixo, retirada diretamente da pesquisa:

Tradução (da esquerda para a direita):
[estímulos oferecidos ao voluntário]
(Caixa de som): palavras ditas, barulhos de beep (“pi, pi”); luzes piscando; estímulos táteis.

[respostas emitidas pelo voluntário]
(Desenho de um rosto com eletrodos): Movimentos oculares, contrações dos músculos da face

Após o treino e as orientações, os voluntários foram conectados a eletrodos e colocados para dormir. Para estabelecer contato, os pesquisadores tocavam o som e aguardavam a resposta através de um sinal ocular. Bem como, conforme combinado, os participantes também enviavam alguns sinais oculares em momentos específicos. Assim que era confirmado que o contato havia sido estabelecido, os pesquisadores começaram a fazer as perguntas.

Resultados

Agora acordados, os voluntários relataram que as perguntas eram incorporadas aos seus sonhos, como se tivesse agora se tornado parte destes. Um deles relatou escutar uma destas perguntas através do rádio do carro que dirigia, outro disse que os flashes de luz apareciam como se fosse uma luz piscando, numa espécie de farolete. Uma das perguntas numéricas, inclusive aparecia como o número de uma casa na rua em que se passeava pelo sonho.

Tradução:

[PESQUISADOR PERGUNTOU DURANTE O SONHO]: Você fala espanhol?

[VOLUNTÁRIO APÓS O EXPERIMENTO]:
“Eu estava em uma festa com amigos e sua voz estava vindo do lado de fora, como o narrador de um filme. E eu decidi responder que não [através de contrações nos músculos faciais].

Entretanto, para a loucura dos pesquisadores, ocasionalmente alguns participantes traziam à tona problemas de matemática diferentes daqueles que lhe foram proposto. Mas a parte surpreendente é que: antes, eles haviam respondido corretamente através dos movimentos oculares!

Tradução:

[VOLUNTÁRIO APÓS O EXPERIMENTO]:
“Quando as luzes começaram a piscar, eu reconheci isso como um sinal de Código Morse e contei ºººº -º–º —– e relatei a resposta “4” com sinais pelo olhar”

Mas o método ainda pareceu um pouco controverso, uma vez que os participantes disseram que em apenas 26% das sessões foi possível obter um sonho lúcido. E deste grupo, 47% respondeu de forma correta ao menos uma das questões colocadas.

Tradução:
[VOLUNTÁRIO RELATANDO]
“Enquanto eu sentia alguém me cutucando eu estava lutando com duendes do mau (goblins). E então eu lembrei e fiquei surpreso que eu era capaz de fazer tantas tarefas ao mesmo tempo”

Apesar de ser um estudo preliminar, algo foi provado: a comunicação com pessoas que estão sonhando não pode ser considerada 100% improdutiva.

As principais conclusões, afinal, não são tão diferentes daquilo proposto por Freud, em A Interpretação dos Sonhos, (veja aqui e aqui), de que:

  • Os relatos dos sonhos dados por alguém em um estado de vigília são frequentemente fragmentados e distorcidos;
  • É possível que alguém em um sonho receba uma mensagem de fora e está seja incorporada ao sonho.

E a novidade foi que: em alguns casos, quem está sonhando é capaz de responder em tempo real à perguntas feitas por quem está acordado, mesmo que seja appenas perguntas de “sim” ou “não”.

Quem sabe os próximos pesquisadores não tenham noções que nos deixem mais felizes quanto a este assunto no futuro? Aliás, não necessariamente todos ficariam mais felizes, é preciso dizer.

Referencia para a pesquisa na íntegra (em inglês):

Konkoly et al., 2021, Current Biology 31, 1417–1427
April 12, 2021 ª 2021 The Authors. Published by Elsevier Inc.


Bons sonhos!

Por Caio Cesar Rodrigues de Araujo

04 Filmes que VOCÊ JÁ DEVERIA TER ASSISTIDO sobre Psicologia

Se você é estudante ou profissional de psicologia, estes filmes são considerados OBRIGATÓRIOS na sua lista.

A arte imita a vida ou a vida imita a arte?

Não é raro encontrarmos coincidências de fatos da vida em livros, peças de teatro, filmes, séries, desenhos e videogames. Mas em algumas ocasiões também visualizamos fatores apresentados nestes cenários, a princípio vistos com fictícios, eclodindo com um improvável e ensurdecedor eco de suas características em situações da realidade.

É pressuposto que o leitor compreenda as linhas cruzadas da arte na realidade não como causa, mas como efeito. Um sujeito não age em cópia ao cenário artístico por indução, influência ou sugestão da obra, mas pela localização deste cenário ser próxima a de um abrigo, de um acolhimento às representações de sua própria vida interior. Mesmo se estivermos falando de um sujeito cuja mente abrigou qualquer suposta clivagem, qualquer diáspora de palavras soltas do sentido, quando pensamos num alguém que carrega aquele discurso distante da realidade. Conforme conhecido a partir de alguns casos de psicose. Ainda nestes sujeitos, a busca de um sentido Ideal continua vigente, mesmo que parcialmente.

Longe da irresponsabilidade de reduzir estes casos à psicose ou qualquer outra estrutura não-neurotípica, utilizo este exemplo para ilustrar que o cenário ficcional é apenas mais um – dos inúmeros lugares para alguém que sofre de algum tipo de desorganização psíquica – hospedeiro dos discursos por trás ou por frente de cada ato. Toda ação é andarilha, errante e vagal até encontrar sua representação: cabendo ela na realidade ou não. E nesta encruzilhada entre aquilo que é da imagem, do simbólico e do real, é possível ver, bem decorada e jamais carente de acabamento: a casa, de alvenaria, que é a arte.

É através da arte que o garrancho, para quem o fez e o interpreta, encontra semelhança com o desenho e a pintura que foram bem feitos. É através desta ferramenta de compreensão e exibição da realidade humana, que uma música escuta um sujeito; que um filme oferece a narrativa que alguém tanto buscou em sua vida; com seu auxílio, um livro é capaz de realizar a leitura nunca antes feita da história de alguém, e uma peça de teatro exibe ao público toda a vida psíquica que parecia ser privada àquele ser. E o videogame oferece o controle, ou o joystick, sobre a ação dos [im]pulsos que não tinham nome ou história.

Em suma: se não for na arte, será em algum [O]outro [L]lugar que aquele sujeito irá depositar as economias de uma vida inteira, ou parcial, de pensamentos. Ele apenas empresta dela a cor, o movimento e, principalmente: o discurso e a narrativa. Coisas que, pela necessidade deste, seriam encontradas em algum o[O]utro l[L]ugar a qualquer momento.

E acredito que a pessoa que agora lê, já concluiu que a arte não se faz tão diferente para representar o que, silenciosamente ou ruidosamente, se apresentava na vida das pessoas. Ou seria possível a uma escritora ou escritor fugir de aspectos de sua própria história de vida? Não estariam representados na arte aquilo que quem a produz é, foi, será ou poderia ter sido? Não mora em cada personagem da dramaturgia um momento captado por retinas, labirintos do ouvido, ou receptores olfativos? Não está no sabor de uma obra algum registro que pousou nas papilas gustativas do autor? Ou estaria lá apenas o calor do corpo de outra pessoa, que em algum momento foi transmitido através de um toque, um gesto à pele, de quem mais tarde resolveu criar uma produção artística?

Se a autoria de uma obra de arte não foi vivida, sem dúvidas ela foi testemunhada. E a partir daí, seria no mínimo paradoxal que esta não pudesse vir a ser testemunho à realidade do espectador, que até então tanto esperava pelo seu próprio.

A seguir alguns destes exemplos. Se são, ou não, relato ou inspiração: que comentem as leitoras e os leitores!

01 – Clube da Luta – Fight Club – (1999):

Banner do filme (imagem encontrada gratuitamente na internet)

Aqui o personagem de Edward Norton não se mostra muito diferente da maioria da classe trabalhadora: insatisfeito com seu emprego atual, comprando compulsivamente coisas que imagina lhe trazerem satisfação e soterrando suas dores entre as múltiplas quatro paredes do dia-a-dia. A reviravolta se dá no encontro que este tem com o personagem de Brad Pitt. Conhecer Tyler Durden foi o ponto de partida para a criação do Clube da Luta e suas duas regras: 1) você não fala sobre o Clube da Luta; 2) Se é a sua primeira vez por lá, então você vai lutar.

O filme que abriga questões que vão desde um relacionamento abusivo, até os resultados das necessidades de se encontrar uma forma de expressão, ao que tanto fora suprimido pelo capitalismo e a masculinidade. Se este dito já não for, o restante é spoiler.

02 – Cisne Negro – Black Swan (2010)

Cartaz de divulgação do filme (imagem obtida gratuitamente na internet).

Neste filme, a atriz e psicóloga Natalie Portman encarna uma bailarina, que visualizará sua performance protagonizar a obra O Lago dos Cisnes. Entretanto, tamanho destaque na considerada Obra Magna de Tchaikovski, oferece à dançarina uma lupa sobre suas relações mais íntimas: com sua mãe, com seu talento e trabalho e até consigo mesma. Se é faltante ou excessiva a cisão de sua personalidade para lidar com cada um estes aspectos, é uma análise que caberá a quem assistiu ou está em atraso para assistir esta obra magnífica.

Quais aspectos do psiquismo humano são evidenciados neste filme? Por gentileza, minha cara leitora e meu caro leitor, faça, em partes, como nossa dançarina: seja protagonista! Comente aqui suas impressões!

03 – Ilha do Medo – Shutter Island (2010):

Cartaz de divulgação do filme. Imagem obtida livramente na internet.

Nesta película, a investigação mais importante a ser feita não é, definitivamente, os motivos que cercam a óbvia preferência do premiado diretor Martin Scorcese por um tal ator, visto pelos fãs como o maior injustiçado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Óscar.

Mas uma outra investigação se torna o portal de entrada na imersiva narrativa do filme: um agente do FBI investiga o desaparecimento de uma pessoa que, além de ter escapado de um hospital destinado a criminosos acometidos de transtornos mentais, também tem em seu histórico um grave assassinato. Um filme solidário ao espectador: coloca-o dentro da ilha que abriga todo tipo de possibilidade. Quem assiste ao filme, descobre-se ali como mais um dos investigadores.

Há apenas uma forma deste caso nunca ser solucionado: se quem lê este artigo sucumbir à procrastinação de conhecer melhor a si e à psicologia como ciência e profissão, isso é: continuar sem assistir a este filme.

04 – Uma Mente Brilhante – A Beautiful Mind (2001)

Cartaz de divulgação do filme. Imagem obtida livremente na internet.

Este filme jamais deixaria de ser recomendado pela Sociedade dos Psicólogos. Muito menos por este colunista que vos escreve. Ele não foi deixado por último: ele na verdade foi o primeiro a ser comentado. Existe um post exclusivo, feito sobre a biografia em que se baseou esta obra: a do matemático e ganhador do Prêmio Nobel de Economia, John Forbes Nash. E você conhecerá gratuitamente clicando aqui.

Voltando ao filme: como seria possível explicar os atalhos que as sinapses de um gênio tomam, de maneira tão inadvertida, a ponto de causarem espanto naqueles que testemunham os destinos de tais rotas alternativas? É difícil encontrar qualquer gênio que ainda não tenha sido confundido com um louco. Em verdade, é mais frequente (e não menos frustrante), encontrarmos sentido antes no delírio do que na genialidade de alguém. Se isso se deve ao fato de um delírio eventualmente compartilhar algo que poderíamos nós mesmos ter pensado, não cabe agora discutirmos.

Outro cartaz de divulgação do filme. Imagem obtida gratuitamente na internet.

Mas, sem dúvidas, este emocionante filme estrelado por Russell Crowe, retira do espectador, por alguns breves momentos, tanto a certeza da própria genialidade, como da própria sanidade. Narrando a trajetória de John Nash dentro da Universidade de Princeton, a trama aponta como o excêntrico aluno se tornou professor, marido, pai e ganhador do Premio Nobel. Mas não faz isso sem transitar pelas adversidades que envolveram estas posições na vida do matemático. E talvez o fato deste filme ser Vencedor de 4 Estatuetas do Óscar convença mais o leitor do que a retórica deste parcial colunista que vos escreve.

E como falamos de matemática, aqui vai uma equação aos leitores e às leitoras:

assistir ao filme + indicá-lo a quem também se interessa por psicologia = não fazer mais do que a obrigação

(e aqui é feita propositalmente uma alusão à frase muito comumente utilizada por figuras de autoridade, no mero (e não necessariamente perverso!) intuito de evocar, nesta recomendação, a força de seus respectivos Supereus).

Portanto, separem a pipoca, o chocolate, refrigerante, vinho, cerveja, cigarros, charutos e todos os confortos que um retorno, via objetos de transição, à fase oral podem proporcionar! Desejo a vocês a melhor das [re]vivências da pulsão escópica: uma boa sessão de cinefilia!

Por Caio Cesar Rodrigues de Araujo Santos

Conheça 3 Benefícios Psicológicos da Vacinação em Massa

Se a Pandemia trouxe um agravamento dos sintomas e dos quadros de Transtornos Mentais no Brasil, a vacinação poderia, como seu inverso, trazer benefícios?

Confira 3 Benefícios Psicológicos que a Vacinação nos traz.

A vacinação contra a Covid-19 já é uma realidade. Esperamos que seus benefícios também o sejam.

O ano de 2020 foi marcado como o ano da Pandemia de Covid-19. Em 2021, esperamos, teremos o ano das vacinas contra a doença. Pensando nestas, preparei este texto para falar sobre 3 Benefícios Psicológicos das Vacinas e das campanhas de vacinação.

Caso você procure mais informações sobre o que foi, como começou e os principais aspectos da Pandemia de Covid-19 em 2020, acesse o megatexto que preparei a respeito com tudo sobre o assunto àquela época. Clique aqui para ler.

1 – Planejamento: “Depois da vacinação eu vou…”

Um benefício psicológico da vacinação é a possibilidade de realizar planejamentos para depois dela.

A possibilidade de fazer planos, programar uma rotina, um roteiro e, portanto, pensar no futuro, foi um direito que a Pandemia tirou da grande maioria das pessoas: o direito de se organizar mentalmente.

Quando temos uma data ou, como é o caso atual, uma programação para finalmente termos datas, se torna possível saber:

  • Uma data em que se poderá fazer uma viagem de lazer e/ou trabalho;
  • Imaginar uma data no futuro para visitar parentes, amigos e pessoas importantes com quem temos afeto, das quais precisamos nos afastar;
  • Estimar, mais ou menos, quando participar ou organizar uma festa importante;
  • Quando será possível voltar ao trabalho/aulas presencialmente, entre outras coisas.

Certamente isso permite com que não haja apenas um conjunto de incertezas catastróficas em nossa mente, o que não produz uma boa perspectivas de afetos, sentimentos e emoções a respeito de nosso futuro.

2 – Superação: O maior benefício é saber que superamos o pior momento.

Há benefício psicológico melhor do que a sensação de dar um golpe certeiro no Coronavirus?

O home-office virou uma realidade, o atendimento psicológico online se tornou a rotina (teve até passo-a–passo para os psicológos e pacientes que não conheciam ainda esta modalidade).

Ir ao mercado se tornou uma perigosa aventura; agora, o simples ato de tomar cerveja em um barzinho que não estivesse vazio, converte-se numa nova espécie de sexo casual desprotegido entre pessoas desconhecidas; o transporte público torna-se a versão 2020 daquele banheiro de rodoviária, onde o maior desafio é adentrar e não tocar em nada. E o pior de tudo: não há para onde correr por tempo indeterminado.

Três das frases que eu mais escutei no consultório durante o ano de 2020 foi: “Eu não aguento mais essa Pandemia“, “Parece que isso nunca vai acabar” e “Parece que nada do que fazemos está adiantando”. Contudo, estas frases trazem um simbolismo importante: não havia um horizonte de SE e nem de QUANDO teríamos algum tipo de respiro. Por isso presença das vacinas nos deixa saber de 3 coisas muito importantes:

  • Não estamos mais “desarmados contra o vírus e a doença;
  • Todo ou parte do esforço que fizemos, deu resultado;
  • Uma hora isso vai acabar.

Apesar de atualmente o Brasil ainda enfrentar um dos piores momentos da Pandemia, não iremos mais passar por isso por tempo indeterminado. Se há um horizonte na vacinação, então o pior já passou. Pois agora mais motivos para voltar a lutar com toda a força. Há agora sonhos com um futuro melhor.

3 – A Esperança é mais do que um benefício psicológico: é um privilégio que a vacinação nos dará.

Dos 3, o maior benefício psicológico da vacinação é a possibilidade de esperar, de sonhar, e de esperançar por um futuro melhor.

Um dos grandes efeitos psicológicos desta Pandemia foi a drástica diminuição da possibilidade de pensar positivamente a respeito do futuro e da felicidade; a redução exponencial de nossa capacidade de ter esperança em tempos futuros.

Paulo Freire dizia que a palavra esperança nada teria a ver com o verbo “esperar” e sim com “esperançar”. Se a primeira tem como sinônimo o verbo “aguardar”, a segunda certamente amplia este significado quando se aproxima mais do verbo “animar”. Por sua vez, animar vem do latim Anima (alma). Ou seja: animar é “dar alma”, portanto: “dar vida” a algo ou alguém.

Há vacinação! Podemos ficar animados! Mesmo rodeados pela morte, será possível enchermo-nos de vida: ao menos em pensamento!

Com a esperança poderemos:

  • Planejar: e por isso teremos mais organização em nossa rotina;
  • Superar: passamos por muita coisa, contudo, sabemos que o pior já passou;
  • Esperançar: agora é sim, possível dizer que dias melhores virão!

Profissionais de saúde da linha de frente terão prioridade. Mas em breve, psicólogos e outros profissionais da saúde também poderão se vacinar para que, logo mais, suas palavras de cuidado abandonem os efeitos do microfone sobre sua voz.

Esperaremos e esperançaremos com muito gosto este momento, mas não só o nosso e sim o mais importante de todos: a notícia da última pessoa, da última lista, ter sido vacinada com sucesso.

Contamos com todas e todos!

Por Caio Cesar Rodrigues

Este texto foi uma adaptação da publicação “3 Benefícios Psicológicos das Vacinas“. Todos os direitos autorais foram preservados e não serão requisitados, pois trata-se de uma edição livre, gratuitamente compartilhada por seu mesmo autor.