Minhas melhores leituras de 2021

… que podem ser boas recomendações para o teu 2022

Começo de ano é sempre a mesma história, o que fiz no ano passado, o que deixei de fazer. O que planejo para esse ano que vem chegando. Criando metas possíveis e impossíveis para esse novo ciclo.

Pensando isso, resolvi fazer algo diferente por aqui. Nos últimos anos tenho me dedicado bastante a leitura. Lendo de tudo, de tudo mesmo.

No ano passado li um total de 55 obras, principalmente de não-ficção, romances e HQ’s/Mangás*, e aqui embaixo tentei listar algumas delas que acho que valem o teu tempo nesse ano. De maneira nenhuma estão organizadas por “Do melhor ao pior”. Selecionar cinco obras foi um trabalho árduo, mas tentei escolher as obras que mais me “afetaram” nesse 2021.

01 – Escravidão, livro por Laurentino Gomes

Texto terrivelmente necessário para quem vai pensar as relações raciais no brasil de hoje. Laurentino traz aqui o resultado de sua extensa pesquisa sobre as origens do processo de Escravidão na África, até a instalação de um processo quase industrial por Portugal e Brasil.

Pensar o passado nos ajuda a entender o nosso presente e mudar o nosso futuro. Frase clichê, mas verdadeira, especialmente hoje.

O segundo volume dessa trilogia também já está disponível, e o terceiro tem previsão de lançamento para esse ano (seria bacana, já que comemoramos o bicentenário da Independência do Brasil).

02 – Solitário, graphic novel por Christophe Chabouté

Essa obra bateu forte. A história de alguém que vive sozinho em um farol pode já ter sido explorada em outros lugares, mas te garanto, não como aqui.

Chabouté trabalha aqui temas como solidão, traumas, marcas deixadas pela fala do Outro e a ressignificação possível. Muito terapêutico e cinematográfico ao mesmo tempo.

Vale notar que a obra é publicada por aqui em edição magistral pela editora Pipoca e Nanquim.

03 – As Intermitências da morte, livro por José Saramago

Feliz reencontro com o mestre português, em uma de suas obras mais premiadas. Narrando o que aconteceria se ninguém mais morresse e as implicações disso em diferentes áreas da sociedade.

Esse texto que reli esse ano traz uma das aberturas mais interessantes e sedutoras que já li em um livro: “No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada”.

04 – Shamisen, mangá por Guilherme Petreca e Tiago Minamisawa

Outra obra publicada pelo pessoal do Pipoca e Nanquim. Nesse mangá nacional, os autores contam a estória da Haru, uma musicista cega que com seu Shamisen (instrumento de cordas tradicional do Japão) consegue encantar até os deuses. Ela faz parte de toda uma classe da população que realmente existiu, as Gozes, mulheres cegas que ganhavam a vida com apresentações musicais.

Encontrei aqui muita mitologia japonesa com boas doses de emoção.

O traço delicado e fluido do Petreca foi muito influenciado pelas obras Ukyo-e (imagens do mundo flutuante), um estilo de estampa, semelhante à xilogravura, que floresceu no Japão entre os séculos XVII e XX.

05 – Introdução ao Zen-Budismo, livro por D.T. Suzuki

Obra curta e direta ao ponto. Bem o que eu precisava naquele momento. Esse texto deu início as investigações que movi de maneira mais detida no segundo semestre do ano, culminando em um trabalho sobre as relações entre Psicanálise e Zen-Budismo.

Aqui, Suzuki comenta de maneira objetiva diversos aspectos do Zen Budismo, desde suas práticas até seus preceitos e conceitos mais complicados.

Legal apontar a função dos Koans (enigmas) e dos Mondos (entrevistas semi-dirigidas). Práticas do Zen-Budismo que tem vários pontos de conexão com a prática da psicanálise.

De novo, foi difícil escolher só 5, então deixo aqui também algumas menções honrosas:

  • O Corvo, graphic novel por James O’Barr;
  • Admirável mundo novo, livro por Aldous Huxley;
  • Grama, manhwa por Keum Suk Gendry-Kim;
  • Coisa de Menina, livro por Contardo Calligaris e Maria Homem;
  • Um pedaço de madeira e aço, graphic novel por Christophe Chabouté;
  • Uzumaki, mangá por Junji Ito.

Até a próxima,

Igor Banin

*Normalmente não conto obras/textos psi pela própria natureza desses (Artigos científicos, capítulos ou partes de livros).

P.s.: Uso bastante o Skoob. App brasileiro que ajuda a organizar e classificar as leituras.  Te ajuda a manter o ritmo de leitura, contando com desafios e competição (ou não entre amigos).

Buscar ser melhor ou buscar ser feliz?

Ao expor tal questionamento, você entende que se trata de caminhos opostos ou que ambas questões se direcionam ao mesmo destino, a felicidade? 

Para explorar tal reflexão, inicialmente podemos considerar alguns estudos levantados pela Dra. Maria Sirois, reconhecida psicóloga clínica na área da Psicologia Positiva. Sirois sinaliza em seus estudos que buscar ser um ser humano melhor mediante até os piores momentos, nos coloca diante da possiblidade de fortalecer nossa resiliência

Segundo a Dra. Sirois, em uma entrevista sobre Resiliência na Psicologia Positiva, ela caracteriza a resiliência como uma poderosa fonte para superação de desafios e elevação de nossas capacidades, inclusive a de prosperar e de cultivar o estado de bem-estar e felicidade

Como se constrói a resiliência?

Ao que se atribui atenção?

De acordo com a Dra. Maria Sirois, a resiliência é fruto de um combo construído através da atenção e de escolhas sábias direcionadas à um questionamento: “como viver melhor?“. 

Tal questionamento nos coloca diante de um novo compromisso. Ou seja, nos convida a vivermos engajados na busca por esta vida melhor. Além de facilitar nossa aproximação com nossas paixões e com aquilo que atribuímos importante significado. Em outras palavras, aquilo que realmente nos importa. 

O que escolher de forma sábia para cultivar a resiliência?

Para resiliência se fazer presente. Ou seja, para superarmos certas dificuldades e elevarmos nosso potencial, é preciso priorizar algumas escolhas, tais como: 

  • Reconhecer e se aventurar em nossas qualidades, para elevar a autoestima e autoconfiança. 

É preciso coragem e confiança para superar os obstáculos. 

  • Preservar um estado de otimismo fundamentado, para minimizar o excesso de preocupações, medos, fantasias e até o elevado estado ansioso. 

Compreender o contexto, se atentar ao todo. Considerar os aprendizados e possíveis ganhos. Considerar e estabelecer caminhos práticos para superação de determinadas situações, caracterizando o otimismo fundamentado.

  • Estabelecer conexões

Como dito por Passareli e Silva (2007), em seu artigo sobre Psicologia Positiva, estabelecer conexões se trata de propiciar relações naturais e agradáveis.  

E sobre tais conexões, que importância há em reconhecer as qualidades nos outros nos que cercam. E também de manter a perspectiva otimista nos relacionamentos, até mesmo mediante decepções e conflitos, a fim de que a resiliência também seja um recurso para o resgate e fortalecimento das relações.

 

Buscar ser melhor, um possível caminho para felicidade

Priorizar o potencial de resiliência, considerando a atenção e escolha sábia, rumo ao que há de melhor em cada indivíduo, situação ou relação, conforme propagado pela Psicologia Positiva, tende a ser um possível caminho para tão desejada felicidade. 

E para complementar este possível feliz caminhar, nada mais que necessário do que sinalizar as emoções positivas, grandes facilitadoras no desenrolar entre um momento difícil e outro.  

Conforme já compartilhado em Lista de 10 Emoções Positivas, são elas: 

  • amor 
  • alegria 
  • gratidão 
  • serenidade 
  • interesse 
  • esperança 
  • orgulho 
  • diversão 
  • inspiração 
  • admiração 

Quanto a elas, as emoções positivas, é preciso treiná-las e praticá-las. É preciso saber que elas existem. É preciso se atentar a elas e permitir escolhe-las, não como algo pronto. Mas sim como algo a ser aprendido e cultivado. 

Por fim, um “papo” sobre resiliência, conexões e emoções positivas para um complexo, mas possível caminho chamado felicidade. 

Por Tayna Wasconcellos Damaceno.

Referências

FERREIRA, Caio A Psicologia Positiva e o Estudo da Felicidade. Novembro de 2018. 

Disponível aqui. Acesso em 07/12/2021. 

FERREIRA, Caio. Lista de 10 Emoções Positivas. Janeiro de 2019.  

Disponível aqui. Acesso em 07/12/2021. 

PASSARELI, Paola e SILVA, José Aparecido. Psicologia Positiva e o Estudo do Bem-Estar Subjetivo. Estudos de Psicologia, Campinas, 24(4) – 513-517, Outubro – Novembro de 2007. 

Disponível aqui. Acesso em 07/12/2021.

Tais Targa – Resiliência na Psicologia Positiva – com Maria Sirois e Henrique Bueno 

Preocupados com o bem-estar dos funcionários, empresas investem em programas de bem-estar. Mas, o que esperar deles? 

Saiba o que é o Programa de Bem-estar corporativo e seu principal objetivo.

Prestes a completar quase dois anos do início da pandemia de COVID-19, muitas empresas já entenderam que a saúde emocional dos seus funcionários é um tema que tem ganhado cada vez mais espaço nas agendas corporativas.  

Segundo matéria da CNN feita em setembro de 2021, desde 2020  cerca de 576 mil pessoas pediram afastamento do trabalho por transtornos mentais e comportamentais. O número revela uma alta de 26% em comparação ao ano de 2019, dizem dados da Secretaria Especial da Previdência e Trabalho. 

Frente a um cenário em que muitos foram obrigados a sair do escritório ou ambiente presencial e compartilhar seu dia a dia de trabalho com a família e o ambiente doméstico, a sobrecarga de trabalho e a dupla jornada de trabalho estão presentes em grande parte das queixas dos funcionários (e pacientes com diagnóstico de Burnout). Por isso, ter uma empresa preocupada com o bem-estar de seus funcionários e que propicie ações e programas que busquem o equilíbrio psicológico deve ser alvo de atenção, principalmente daquele que buscam um melhor ambiente de trabalho.  

Mas, afinal, o que esperar de um Programa de Bem-estar? 

Pesquisa da consultoria Willis Towers Watson (WTW) apontou que, de 2015 para 2021, houve um aumento de 33% no interesse das empresas de implantar ações de saúde e bem-estar na rotina de seus colaboradores.  

Dessa forma, os programas de bem-estar podem ser definidos como ações coordenadas entre si, geralmente sob responsabilidade de coordenação da área de Recursos Humanos, com o objetivo de promover a saúde integral e a felicidade dos colaboradores. Ao abordar saúde integral, entende-se que a empresa promove ações que impactam positivamente e trazem ganhos para os diversos pilares da vida social do funcionário (familiar, financeiro, emocional, físico, entre outros). Assim, o programa apoia as pessoas a mudarem comportamento e estilos de vida, dentro e fora do ambiente de trabalho.  

Quais são os benefícios do programa? 

Sentir-se bem no trabalho e ter um ambiente de segurança psicológica está diretamente relacionado a uma melhor saúde e bem-estar. Com isso, mais possibilidade de exercer a criatividade, inovação e melhoria na produtividade. Comportamentos como maior comprometimento e engajamento em temas do trabalho também passam a ser mais frequentes e esperado. Aliado a este  bom ambiente de trabalho há também a possibilidade de ações voltadas para a prevenção da saúde física e emocional, gerando redução das doenças ocupacionais e, consequentemente, afastamentos relacionados ao trabalho.  

Sob a ótica do funcionário e usuário do programa, ter ações voltadas para sua saúde e esse olhar atento também possibilita um olhar cuidadoso para si mesmo, um espaço para incentivo ao seu auto cuidado e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.  

Quais exemplos se inspirar? 

Hoje existem muitas empresas no mercado divulgando publicamente suas iniciativas e programas de bem-estar.  

Um exemplo disso é o grupo Votorantim, que criou o programa online “Desafio VSaúde”, para estimular o engajamento e a participação dos funcionários em ações de exercício físico. Além da campanha, também houve o incentivo pela companhia para que todos realizassem exames de rotina com frequência para manter uma vida saudável. 

Outro exemplo que ficou muito conhecido foi o do Linkedin,  que decidiu conceder uma semana de folga remunerada para todos seus 15 mil funcionários pelo mundo. Antes da pandemia, a empresa já oferecia sessões semanais de yoga e mindfulness gratuitas no escritório, além de 20 terapias ao logo ano. Em julho, a empresa deu mais um passo e anunciou que todos os colaboradores trabalhassem meio período nas sextas-feiras durante os meses de julho e agosto. 

Exemplos como estes já estão vindo a público facilmente e com ampla divulgação, evidenciando o papel social das empresas, que vai muito além de prover o trabalho, mas também dar meios e condições para que todos tenham um ambiente saudável e relações equilibradas nos diferentes aspectos da nossa vida.  

Caso tenha interesse em conhecer mais sobre programas de bem-estar, fale com uma de nossas especialistas em Psicologia Organizacional e do trabalho.  

Bruna Passarelli

Fonte: CNN, Empresas ampliam programas de bem-estar em meio à preocupação com saúde mental. Disponível em https://www.cnnbrasil.com.br/business/sobe-33-o-interesse-das-empresas-em-criar-acoes-de-saude-mental-diz-pesquisa/

Sobre viver e navegar

Em algum momento percebi que a vida é um oceano. Longo, vasto, diferente dos mares que conhecemos nas praias, este não tem limite. Naveguei em uma embarcação familiar por muito tempo, ali cada um fazia sua parte e de alguma forma, cuidávamos uns dos outros mesmo em momentos de fortes tempestades ou grandes calmaria. Com algum tempo notava outros barcos, navios, balsas ou botes, cada grupo com seu meio de navegar, mas em algum lugar eu via pessoas à deriva, sozinhas ou distantes dos seus.

Passei algum tempo em terra firme, aprendendo a lidar com os imprevistos que acontecem em alto mar, e formas de auxiliar pessoas a encontrar equilíbrio em suas embarcações, as vezes até mesmo a como construir uma, essa foi minha formação como psicoterapeuta. Volta e meia estou lá em uma dessas escolas novamente, sempre há uma ferramenta nova para auxiliar um naufrago ou uma nova forma de fechar um buraco em um casco de barco.

Quando me tornei psicólogo, me foram dadas (ou construí) algumas ferramentas e técnicas que mudaram a minha forma de navegar. Aprendi a ter um olhar e uma escuta focada e atenta, alguém pode estar se debatendo na água bem do seu lado e você nem perceber a tempo de ajudar. Para maiores distâncias tenho uma luneta que me ajuda a ver, ajuda as vezes a encontrar uma embarcação ou porto seguro, onde o resgatado possa descansar e traçar sua nova rota. Gosto muito da habilidade de ficar em silêncio e escutar, o vazio do oceano pode no dizer muito, e assim também posso buscar compreender de onde vem e para onde vai cada uma dos que encontro, infelizmente alguns se perderam, sempre que posso ajudo com um mapa ou calculamos juntos a rota corrigir seu curso.

Tenho sempre a mão uma velha, mas muito boa boia salva vidas, em alguns casos não dá para mergulhar e ajudar, mas essa ferramenta traz lentamente a pessoa até a segurança, e esse tempo é até importante para que ela se acalme e possa aí se organizar e ir em frente.

Com o tempo me separei do grupo que me mantinha, construí minha própria embarcação, e hoje navego nas direções que acho mais importantes, independentemente de onde vá, sempre tem gente para conhecer, suas histórias me encantam, algumas me comovem, me sempre vejo que todos são capazes de encontrar aquele tesouro perdido, ou aquela ilha afastada que tanto procuram, em alguns casos fico feliz de fazer parte deste processo. O mar pode ser traiçoeiro, cheio de perigos, de tempestades e vis piratas, mas a cada dia me torno e acredito que você também, um marinheiro mais ágil, mais atento, mais hábil, e sei que alcançaremos mares mais tranquilos e estáveis. Com o tempo notamos que cada um tem sua forma de navegar, que alguns tem pressa, outros tem muita calma, alguns tem um objetivo muito bem definido, outros só querem aproveitar a vista, independentemente de onde o vento o leve. Conheci aqueles que não queriam mais navegar sozinhos, também conheci aqueles que querem aproveitar o som do oceano, da vida sem muitas pessoas por perto, e aprendemos a apreciar todas as formas de navegar.

O mar é lindo, sentir as ondas, ver as paisagens, conviver com a fauna, tudo isso pode ser muito bom, mas existem tempestades assustadoras, naufrágios trágicos, e até mesmo piratas por aí, e é natural que em algum momento tenhamos medo do que vamos encontrar por aí. Se eu puder ajudar na sua navegação, ficarei feliz, as cartas náuticas da Psicologia foram desenvolvidas para isso afinal, mas de toda forma, espero o melhor para você e todos nós.

De um psico-marinheiro da vida para todos os navegantes por aí procurando uma direção.

Por Psi. Patrício Lauro