08 Livros Para Conhecer o Zen-Budismo

Em breve teremos a primeira edição do nosso novo curso “Psicologia e Zen-Budismo”, onde trabalharemos a relação entre a prática e filosofia budistas com diversas facetas da psicologia. Desde os estudos sobre meditação e

Para celebrar esse evento, trouxe aqui uma seleção de alguns dos livros que servem de bibliografia para o nosso curso, e que podem servir de porta de entrada para quem se interessa pelo tema.

Espero que gostem!

Introdução ao Zen-Budismo

Autor: D.T. Suzuki

(D.T. Suzuki)
(Divulgação: Editora Mantra)

Ótima obra de introdução ao sistema de pensamento e práticas Zen budistas. Suzuki foi um grande divulgador do pensamento Zen no início do século XX, tendo lecionado em diversas universidades americanas, até voltar ao Japão.

Nessa obra Suzuki traz uma visão geral das práticas e da filosofia zen-budista, respondendo diversas questões como: O zen é niilista? O que é a iluminação? Como é a vida de um monge zen?

Definitivamente uma ótima sugestão para se iniciar no assunto. Destaque também para o prefácio da Monja Coen na nova edição pela editora Mantra.

Filosofia do Zen-Budismo

Autor: Byung-Chul Han

(Byung-Chul Han)
(Divulgação: Editora Vozes)

Autor bem conhecido no Brasil à partir da publicação de “Sociedade do Cansaço”, aqui Han foca em trabalhar comparativamente a filosofia zen-budista à filosofia ocidental, especialmente à partir de autores como Platão, Hegel, Schopenhauer, Nietzsche e Heidegger.

Alguns dos principais  temas pelos quais o sul-coreano passeia são a noção de Religião sem Deus, Morte e Vazio, sempre trazendo haikus (especialmente de Bashõ) para apoiar seus comentários e ilustras suas idéias.

O Gato Zen

Autora: Kwong Kuen Shan

(Kwong Kuen Shan)

Alô amantes de gatos, essa é para vocês. Essa obra bem leve e gostosa de ler combina sabedoria e fofura. Trata-se aqui de um trabalho artístico transdisciplinar, combinando pintura, desenho e literatura. A autora Kwong Kuen Shan traz quarenta ilustrações felinas combinadas a máximas chinesas, provérbios populares e outros trechos da sabedoria antiga chinesa.

Entre os pensadores que ilustram a obra estão Confúcio (criador do Confucionismo), Lao-Tsé, Mêncio e Suz Tzu (conhecido pela obra A Arte da Guerra).

Destaque para as artes delicadas que dialogam com o conteúdo das frases e e pequenos textos apresentados.

(Divulgação: Editora Estação Liberdade)

O Caminho Zen

Autor: Eugen Herrigel

(Divulgação: Editora Pensamento)

Obra importante de divulgação do Zen no ocidente. Herrigel, professor alemão de filosofia, viveu e lecionou no Japão na universidade Tohoku, em Sendai, durante segunda metade dos anos 1920.

Lá tomou contato com a cultura japonesa, e fascinou-se pela maneira como o Zen permeia quase tudo na sociedade nipônica.

Nessa obra Herrigel descreve o sistema de pensamento zen e descreve como o Zen influencia as artes, os esportes e o dia-a-dia dos japoneses. Vale a pena também mencionar que aqui Herrigel traça um panorama de como o Zen era visto naquele momento fora do Japão, em especial, na Europa.

A arte cavalheiresca do Arqueiro Zen

Autor: Eugen Herrigel

(Eugen Herrigel)
(Divulgação: Editora Pensamento)

Dobradinha do autor alemão aqui que vale a pena não só pelo registro histórico da experiência de aprendizado dele, mas também de como conceitos do Zen se aplicam às práticas esportivas no Japão.

Nesse texto Herrigel narra sua experiência enquanto um aprendiz da arte marcial do tiro com Arco e Flecha, focando no estado de mente vazia, na não-intenção e no controle de si. A relação mestre-aluno e seus percalços é bem explorada aqui, mostrando a distância entre Ocidente e Oriente enquanto à facilitar ou não as coisas para o aluno.

Vivência e Sabedoria do Chá

Autor: Soshitsu Sen XV

(Soshitsu Sen XV)
(Imagem da Internet)

Outro texto que foca em uma arte específica japonesa e como o Zen a influencia. O texto foi escrito por Soshitsu Sen XV, o 15º Grão-Mestre da Urasenke, uma das mais importantes escolas do ChaDô (O caminho do Chá).

Na obra são explorados na obra em suas implicações durante a cerimônia do Chá. São eles: Harmonia (wa), Respeito (kei), Pureza (sei) e Tranquilidade (Jaku).  

O espírito wabi (ou wabi sabi), de difícil tradução, às vezes referenciado como “rusticidade” ou simplicidade, recebe bastante relevância na obra e denota o caráter Zen da Cerimônia do Chá.

Dao de Jing (O livro do Tao)

Autor: Lao-Tsé (Laozi)

(Lao-Tsé)
(Divulgação: Editora Mantra)

Historicamente o Zen-Budismo foi muito influenciado ao chegar à china pelo taoísmo. O Chan, forma original do Zen, adquiriu diversos conceitos do Tao (ou Dao, à depender da tradução), como o pensamento ilógico (presente na prática dos Koans), a noção de Vazio constitutivo (que à meu ver, dialoga bastante com o pensamento lacaniano) e a permanência/impermanência, à partir das noções de Sopro Yin e Yang.

Essa obra é considerada uma das bases do pensamento taoísta, escrita por Lao-Tsé (ou Laozi), é composta de 81 provérbios que versam sobre o pensamento taoísta, a constituição do Universo e como se portar no dia-a-dia.

Vazio Perfeito

Autor: Lie-Tsé (Liezi)

(Liezi)
(Divulgação: Editora Mantra)

Outra obra basilar do Taoísmo, escrita por Liezi, que ao lado de Laozi e Zhuangzi é considerado um dos precursores do Taoísmo.

Nessa obra, Liezi cria diversas estórias filosóficas e poéticas onde são abordados temas como a plenitude do vazio, a viagem interior, a complementariedade da vida e da morte, a inconstância dos eventos da vida entre outros.

Destaque para a editoração e diagramação belíssima da editora Mantra, especialmente sendo uma obra bilíngue.

Além dos textos, sugiro esse vídeo da Monja Coen com um resumo sobre a história do Zen-Budismo:

Até a próxima,

Igor Banin

Minhas melhores leituras de 2021

… que podem ser boas recomendações para o teu 2022

Começo de ano é sempre a mesma história, o que fiz no ano passado, o que deixei de fazer. O que planejo para esse ano que vem chegando. Criando metas possíveis e impossíveis para esse novo ciclo.

Pensando isso, resolvi fazer algo diferente por aqui. Nos últimos anos tenho me dedicado bastante a leitura. Lendo de tudo, de tudo mesmo.

No ano passado li um total de 55 obras, principalmente de não-ficção, romances e HQ’s/Mangás*, e aqui embaixo tentei listar algumas delas que acho que valem o teu tempo nesse ano. De maneira nenhuma estão organizadas por “Do melhor ao pior”. Selecionar cinco obras foi um trabalho árduo, mas tentei escolher as obras que mais me “afetaram” nesse 2021.

01 – Escravidão, livro por Laurentino Gomes

Texto terrivelmente necessário para quem vai pensar as relações raciais no brasil de hoje. Laurentino traz aqui o resultado de sua extensa pesquisa sobre as origens do processo de Escravidão na África, até a instalação de um processo quase industrial por Portugal e Brasil.

Pensar o passado nos ajuda a entender o nosso presente e mudar o nosso futuro. Frase clichê, mas verdadeira, especialmente hoje.

O segundo volume dessa trilogia também já está disponível, e o terceiro tem previsão de lançamento para esse ano (seria bacana, já que comemoramos o bicentenário da Independência do Brasil).

02 – Solitário, graphic novel por Christophe Chabouté

Essa obra bateu forte. A história de alguém que vive sozinho em um farol pode já ter sido explorada em outros lugares, mas te garanto, não como aqui.

Chabouté trabalha aqui temas como solidão, traumas, marcas deixadas pela fala do Outro e a ressignificação possível. Muito terapêutico e cinematográfico ao mesmo tempo.

Vale notar que a obra é publicada por aqui em edição magistral pela editora Pipoca e Nanquim.

03 – As Intermitências da morte, livro por José Saramago

Feliz reencontro com o mestre português, em uma de suas obras mais premiadas. Narrando o que aconteceria se ninguém mais morresse e as implicações disso em diferentes áreas da sociedade.

Esse texto que reli esse ano traz uma das aberturas mais interessantes e sedutoras que já li em um livro: “No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada”.

04 – Shamisen, mangá por Guilherme Petreca e Tiago Minamisawa

Outra obra publicada pelo pessoal do Pipoca e Nanquim. Nesse mangá nacional, os autores contam a estória da Haru, uma musicista cega que com seu Shamisen (instrumento de cordas tradicional do Japão) consegue encantar até os deuses. Ela faz parte de toda uma classe da população que realmente existiu, as Gozes, mulheres cegas que ganhavam a vida com apresentações musicais.

Encontrei aqui muita mitologia japonesa com boas doses de emoção.

O traço delicado e fluido do Petreca foi muito influenciado pelas obras Ukyo-e (imagens do mundo flutuante), um estilo de estampa, semelhante à xilogravura, que floresceu no Japão entre os séculos XVII e XX.

05 – Introdução ao Zen-Budismo, livro por D.T. Suzuki

Obra curta e direta ao ponto. Bem o que eu precisava naquele momento. Esse texto deu início as investigações que movi de maneira mais detida no segundo semestre do ano, culminando em um trabalho sobre as relações entre Psicanálise e Zen-Budismo.

Aqui, Suzuki comenta de maneira objetiva diversos aspectos do Zen Budismo, desde suas práticas até seus preceitos e conceitos mais complicados.

Legal apontar a função dos Koans (enigmas) e dos Mondos (entrevistas semi-dirigidas). Práticas do Zen-Budismo que tem vários pontos de conexão com a prática da psicanálise.

De novo, foi difícil escolher só 5, então deixo aqui também algumas menções honrosas:

  • O Corvo, graphic novel por James O’Barr;
  • Admirável mundo novo, livro por Aldous Huxley;
  • Grama, manhwa por Keum Suk Gendry-Kim;
  • Coisa de Menina, livro por Contardo Calligaris e Maria Homem;
  • Um pedaço de madeira e aço, graphic novel por Christophe Chabouté;
  • Uzumaki, mangá por Junji Ito.

Até a próxima,

Igor Banin

*Normalmente não conto obras/textos psi pela própria natureza desses (Artigos científicos, capítulos ou partes de livros).

P.s.: Uso bastante o Skoob. App brasileiro que ajuda a organizar e classificar as leituras.  Te ajuda a manter o ritmo de leitura, contando com desafios e competição (ou não entre amigos).