Contardo Calligaris (1948 – 2021)

Homenagem ao psicanalista que soube escutar o Brasil como ninguém

Contardo Calligaris fez parte da minha formação de forma única. Sua escrita me fez pensar e refletir sobre a condição humana desde o começo da minha trajetória como terapeuta. Seus textos foram fundamentais para a minha pesquisa e entendimento da diversidade humana e das várias formas de “estar no mundo”.

Lembro-me inclusive de um episódio no final da minha graduação, quando, após um ano de estágio clínico supervisionado, nossa professora nos pediu para redigir uma carta a nós mesmos, como terapeutas no início daquele ano. Clara alusão a seu texto “Cartas a um Jovem Terapeuta”(2004). Ela mesmo, tendo sido aluna direta dele 🙂

Com o recente falecimento do psicanalista, pensei em fazer este pequeno texto reunindo um pouco de sua Formação e Ensino, e suas principais obras publicadas.

Formação e Ensino

“O que me interessa não é ser feliz, mas sim ter uma vida interessante”.

Calligaris, Contardo
Contardo Calligaris

Italiano, nascido em Milão, em 1948, seus pais fizeram parte da resistência Anti-fascista durante a Segunda Guerra Mundial. Sua primeira formação foi em Epistemologia Genética, na Suíça, tendo estudado com Jean Piaget (1896-1980). Posteriormente, graduou-se em Letras, o que o permitiu lecionar teoria da literatura.

Depois, já em Paris, sob a orientação de Roland Barthes (1915-1981), trabalhou em seu doutorado em Semiologia. Passou a ser atendido por Serge LeClaire, e se interessou então por Psicanálise, frequentando os seminários e apresentações de pacientes de Jacques Lacan (1901–1981).

Fez um segundo Doutorado em Psicologia Clínica, focando sua tese no tema “A Paixão de Ser Instrumento“, discutindo os efeitos e narrativas da ascensão de autoritarismos e governos totalitários.

O primeiro contato com o Brasil se deu depois da publicação por aqui de Hipótese sobre o Fantasma em 1986. Passou a visitar o país com certa frequência para proferir seminários, palestras e atender pacientes. Foi membro-fundador também da APPOA (Associação Psicanalítica de Porto Alegre).

Foi também Professor de Antropologia na Universidade da Califórnia em Berkeley, e de Estudos culturais na The New School em Nova Iorque, se revezando entre Brasil e EUA até meados de 2004, atendendo pacientes dos mais diversos.

A partir da publicação de “Hello, Brasil” (1981) é convidado a escrever na Folha de São Paulo, onde, desde 1999 escrevia semanalmente, nas “saudosas quintas-feiras”. Lá escrevia sobre tudo, desde os percalços da sexualidade humana à condição política e histórica do país.

É importante notar o caráter cosmopolita da trajetória de Contardo, foi verdadeiramente um homem do mundo.

Principais Obras

Contardo Calligaris

Além de escrever na já citada coluna semanal das quintas-feiras na Folha de S. Paulo, Calligaris publicou diversos títulos psicanalíticos e romances. Listo aqui alguns dos principais textos voltados (ou não) à comunidade Psi.

Hipótese sobre o Fantasma (1983)

Hipótese sobre o Fantasma (1983)

Em Hipótese sobre o Fantasma, sua primeira publicação psicanalítica, Calligaris aborda a questão do atravessamento do fantasma, entendimento de como seria o final de análise na Clínica do Simbólico (Primeira Clínica de Lacan).

Introdução a uma Clínica Diferencial das Psicoses (1989)

Introdução a uma Clínica Diferencial das Psicoses (1989)

Uma série de sete seminários proferidos por Contardo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1989, foram transcritos e publicados como livro nesta obra. Temas como a estrutura psicótica, desencadeamento e evolução da crise e diferenciação das psicoses são alguns dos temas discutidos pelo psicanalista. Se constitui como referência para o estudo das psicoses à partir do entendimento lacaniano da psicanálise.

Hello, Brasil (1991)

Hello, Brasil. Psicanálise da estranha civilização brasileira (1991)

Hello, Brasil se afigura, para mim, como uma das análises mais precisas do laço social e histórico do Brasil. Nele, Contardo “coloca o Brasil no divã”, pensando os sintomas sociais à partir da perspectiva psicanalítica. Segundo o próprio autor, esse seria um livro de viagem, escrito à partir da perspectiva de um estrangeiro.

Teve uma republicação em 2017 onde foram adicionados alguns ensaios a partir da vivência de Contardo na nossa “estranha civilização”.

Cartas à um jovem terapeuta (2004)

Cartas a um Jovem Terapeuta (2004)

Talvez este seja o texto mais difundido entre estudantes de Psicologia no começo de seus estágios supervisionados. Em Cartas à um jovem Terapeuta, Calligaris passeia por diversos pontos de ansiedade de todos aqueles que se destinam à prática clínica. Fala sobre Vocação Profissional, Amores terapêuticos e O que fazer para ter mais pacientes?

Coisa de Menina? (2019)

Coisa de Menina? Uma conversa sobre Gênero, Sexualidade, Maternidade e Feminismo (2019)

Em parceria com Maria Homem, Calligaris publicou seu último livro com o formato de uma conversa, de diálogo entre os psicanalistas sobre Gênero, Sexualidade, Maternidade e Feminismo. Temas como Lugar de fala, constituição de Gênero e Limites entre gozo e assédio são alguns dos pontos de parada dessa viagem.

Para além dos textos “psicanalíticos”, Contardo escreveu 2 romances centrados em Carlo Antonini, quase um alter-ego de Calligaris. No primeiro, “O conto do amor” (2008), à partir da morte de seu pai, Antonini busca as origens de sua família no norte da Itália e desvenda segredos do passado. No segundo, “A mulher de vermelho e branco” (2011), uma trama que envolve passado e presente entre Nova York, São Paulo e Paris, Antonini se vê dentro de um verdadeiro “thriller psicanalítico”.

As estórias de Carlo Antonini foram adaptadas para as telas na série de televisão Ps!, pela HBO, contando com Emílio de Mello no papel principal. Com 04 temporadas ao total, o seriado explora temas complexos como Abuso, Assédio e Suicídio, sempre com  o foco na diversidade da experiência humana.

Emílio de Mello em Ps!, da HBO)

Publicou também coletâneas com algumas de suas colunas na Folha de São Paulo, reunidas e organizadas por temáticas. Entre elas destaco “Os Reis estão Nus” (2013).

Deixo aqui linkado também sua participação no Roda Viva em 2017, onde ele fala sobre um pouco de tudo, de A à Z, como era seu costume.

Contardo Calligaris no programa de televisão Roda Viva, em 2017)

Um clínico exímio, um dos principais pensadores críticos do país se foi, mas deixou uma obra importante e tão atual como sempre. Escutou o Brasil como poucos.

Obrigado por tanto, Contardo.

(Autógrafo de Contardo na minha edição de Hello, Brasil)

Até a próxima,

Igor Banin

HP Lovecraft e o Real em Psicanálise

Howard Phillips Lovecraft é um dos casos de autores que ganha mais notoriedade após sua morte. Cada vez mais, percebe-se a presença de elementos de sua obra literária em filmes, séries e livros.

Suas contribuições para a literatura de horror e ficção científica são notáveis, adicionando elementos típicos dos gêneros de fantasia. Alguns o comparam a Edgar Allan Poe, ao qual é atribuído a criação do gênero de Romance Policial.

Críticos e fãs costumam nomear o estilo de Lovecraft de Horror Cósmico, ou “Cosmicismo”, por suas histórias envolverem normalmente seres extraterrenos, monstros ou entidades tão antigas que estariam além da Compreensão humana.

Pensando nisso, a ideia aqui é fazer um paralelo entre o estilo de escrita verborrágica, recheada de adjetivos de Lovecraft com a noção de Real em Psicanálise.

Lovecraft, vida e escrita

Nascido em 1890 na cidade de Providence, Rhode Island no seio de uma família aristocrata da Nova Inglaterra, o pequeno Lovecraft foi criado em um ambiente confortável.

Seu pai morreu quando Lovecraft tinha apenas 08 anos de idade, após ficar internado, depois de ter uma crise nervosa em 1893 constantemente em clínicas de repouso. Suspeita-se que o pai tivesse contraído sífilis. Após a morte do pai, Lovecraft foi morar na casa de seu avô.

Seu avô era uma proeminente empresário industrial o que garantiu uma vida confortável para Lovecraft em seu início. Diz-se que a árvore genealógica de Lovecraft pode ser traçada até mais de 400 anos atrás. Sua família foi uma das primeiras a ter chegado aos Estados Unidos.

Após a morte do pai, diz-se que sua mãe desenvolveu um cuidado excessivo com o garoto. Posteriormente, Lovecraft afirma que esse zelo demasiado deixou marcas profundas em sua psiquê e seu relacionamento com o mundo. Lovecraft passava muito tempo em casa, por ter uma saúde frágil. Frequentou pouco a escola, o que o Ele sofria de poiquilotermia, uma raríssima doença que fazia com que sua pele fosse sempre gelada ao toque.

Tendo crescido na vasta biblioteca de seu avô, Lovecraft passou a venerar a cultura clássica e considerava a poesia como literatura de verdade. Para alguém que passava muito tempo em casa, com gosto pela leitura e escrita, não é de se admirar que tenha se tornado um escritor.

Howard Phillips Lovecraft em junho de 1934

Mesmo após a morte do avô, e de sua mãe, com o dinheiro escasso, H.P. não aceitava trabalhar de maneira contínua. Ele se considerava um cavalheiro aristocrata, e ele entendia que trabalhos que não fossem em jornais ou revistas consideradas adequadas, estavam abaixo dele.

Lovecraft faleceu em 15 de Março de 1937, aos 46 anos de idade.

Foi com o esforço de amigos próximos que fundaram a editora Arkham, e começaram a publicar os textos de Lovecraft em formato de livro, que sua obra ficou mais conhecida do público geral. Até então, seus escritos eram conhecidos por uma audiência mais restrita, principalmente de leitores de revistas Pulp, como a Weird Tales.

Weird Tales, 1922

Seu impacto na literatura de horror e ficção científica é profundo, influenciando autores como Neil Gaiman e Stephen King. Para além disso, sua influência em obras cinematográficas de diretores como Stanley Kubrick e John Carpenter é notável, como no filme Enigma de Outro Mundo (1982), de Carpenter.

Lovecraft durante muito tempo teve uma postura racista e xenófoba em seus contos. Especula-se, inclusive, que muitas das descrições dos monstros nas histórias de Lovecraft tenham sido baseados nos preconceitos íntimos do autor. A posição da aristocracia decadente do Nordeste dos Estados Unidos, a reclusão constante no início da vida, bem como as rápidas mudanças sociais que vinham acontecendo à época no continente americano, certamente influenciaram a visão de mundo de H.P.

Outro ponto importante de se notar nas histórias do autor é a pouca ou nenhuma participação de mulheres nos contos. Por toda a obra de Lovecraft, percebe-se um desprezo pela raça humana de maneira geral, sendo considerada sempre inferior ao cosmos.

Curiosamente, ele se casou com Sonia Greene, uma judia que o convenceu a mudar-se para Nova York, lugar onde eles moraram por pouco tempo, antes de sua separação amigável.

Algumas características importantes da escrita de Lovecraft que também são importantes.

  1. O arcaísmo patente no uso de terminologias. O texto parece, em uma primeira olhada, ter sido escrito no século XIX, tamanho o uso de termos fora de uso empregados por Lovecraft.
  2. O uso indiscriminado de adjetivos quando ele busca descrever os monstros/entidades em suas narrativas.

Essa segunda característica é muito criticada nos meios acadêmicos, sendo visto como uma limitação criativa na escrita de Lovecraft.

Um exemplo claro do estilo “Lovecraftiano” se encontra no texto Ele (1926/2017):

“… e as multidões humanas que fervilhavam pelas ruas estreitas eram seres atarracados, forasteiros escuros com caras abrutalhadas e olhos apertados, estranhos traiçoeiros sem sonhos e sem nenhuma relação com o cenário a seu redor, enigmáticos para os descendentes dos antigos habitantes, que amavam as belas alamedas verdes e as aldeias da Nova Inglaterra com suas torres em formato de agulha” (Lovecraft, p. 62).  

A noção de Real na Psicanálise

O Real na psicanálise não se trata da realidade. Talvez, seria melhor dizer que o Real é tudo aquilo que tem que ser extraído da realidade para que ela faça sentido.

O Real se trata daquilo que é inominável, indizível, impensável. No fundo, tudo aquilo que nos confronta com o nosso caráter eternamente faltante. Segundo Lacan (1953/2005): “O real é ou a totalidade ou o instante esvanecido. Na experiência analítica, para o sujeito, é sempre o choque com alguma coisa, por exemplo, com o silêncio do analista” (p. 45).

Simbólico e Imaginário tentam dar conta do Real, do furo, sendo que “o Real será definido como o que escapa ao Simbólico, o real como trauma” (Chaves, 2009, p. 43).

Uma boa definição do Real, a meu ver é dada por Fink (2018):

“O Real, tal como o apresentei até aqui, é aquilo que ainda não foi posto em palavras ou formulado. Podemos pensar nele, em certo sentido, como a ligação ou o elo entre dois pensamentos que sucumbiu ao recalcamento, e que precisa ser reestabelecido” (p.61)

Lacan dizia também que o Real é como o “muro da linguagem”, o limite que resta de não-simbolizável. A morte, por exemplo, é algo do Real. A experiência de perder alguém próximo costuma vir acompanhada da “falta de palavras”. Não existem palavras que deem conta desse sofrimento.

“Ainda nessa qualidade, em sua posição tópica, ele se caracterizará como exsistente (situado fora de todo campo demarcável). Finalmente, e na medida em que lhe é assim conferido o estatuto de um vazio, ele se articulará numa representação “borromeana” com os vazios constitutivos do simbólico e do imaginário” (Kauffman, 1998, p. 445)

Mais a frente na obra Lacaniana, o autor vai formalizar a tríade, Simbólico-Imaginário-Real, a partir do chamado Nó Borromeano, uma formação topológica que consiste de 3 aros interligado, de tal modo que se um se desvencilhar os outros também o são. Assim é o sujeito para Lacan.

O nó Borromeano

O Real em Lovecraft

Os monstros “Lovecraftianos” não apresentam forma, suas formas não podem ser compreendidas pela raça humana. Muitas vezes a geometria de construções alienígenas são consideradas estranhas e incompreensíveis para nós (Lovecraft, 2017).

A própria palavra “Cthulhu”, oriunda do conto “O Chamado de Cthulhu” (talvez seu texto mais conhecido, adaptado para uma infinidade de jogos, RPG’s, etc) publicado em 1928, seria impronunciável. Segundo ele, “a nossa conformação fisiológica não permitiria que o pronunciássemos corretamente” (Lovecraft, 2017, p.120). Não seria um idioma para a laringe humana.

Em Dagon (1919/2017), seu primeiro conto publicado profissionalmente:

“Então, de repente, eu vi. Com apenas uma leve agitação para marcar sua ascensão até a superfície, a coisa deslizou para fora das águas escuras. Tão vasto quanto Polifemo e horrendo, ele dardejou, como um estupendo monstro de pesadelos, contra o monólito, sobre o qual lançou seus gigantescos braços escamosos, enquanto curvava a cabeça hedionda e dava vazão a certos sons compassados. Naquele momento, pensei ter ficado louco” (Lovecraft, p. 26).

Interessante notar que isso se alinha com a noção de Real que escapa a Simbolização. O inominável e impensável vem de encontro aos personagens nos contos de Lovecraft. O horror, muitas vezes se baseia no desconhecido, na incerteza do que está lá. Para além disso, o fato de não haver palavras que descrevam a visão monstruosa denota um encontro com o Real: “O efeito da visão monstruosa era indescritível, já que alguma violação demoníaca das leis naturais parecia uma certeza desde o começo” (Lovecraft, 1936/2017, p. 209).

A incerteza é algo que invariavelmente estará presente nas nossas vidas, lidar com ela e produzir algo a partir disso é um dos objetivos centrais da análise, sempre apontando para onde está o desejo do sujeito.

O Real se impõe como um muro da linguagem para todos. E é nessa direção que é entendida a clínica psicanalítica lacaniana na atualidade. Levamos o sujeito a se confrontar com sua possibilidade maior de escolhas (Forbes, 2014). Com a mudança do laço social, os referenciais tidos como certos no passado não funcionam mais, com isso, temos que nos reinventar constantemente. A mudança na clínica psicanalítica, passa então por, não mais explicar o sintoma (Clínica da Simbólico), mas por implicar (Clínica do Real) o paciente em seu sintoma e em seu desejo.

Imagino o que pensaria Lovecraft se caminhasse entre nós nos dias de hoje. Talvez ele caminhe.

Até a próxima,

Igor Banin

Referências Bibliográficas

Chaves, W. (2009). Considerações a respeito do conceito de Real em Lacan. In Psicologia em Estudo. (pp. 41-46, v. 14). Maringá.

Fink, B. (2018). Introdução clínica à psicanálise lacaniana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Forbes, J. (2014) Psicanálise – A clínica do Real. Barueri: Manole.

Kauffman, P. (1998) Real. In Dicionário Enciclopédico de Psicanálise. O legado de Freud e Lacan. (pp.444-445) Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lacan, J. (1953/2005). O simbólico, o imaginário e o real. Em Nomes-do-Pai (T. André, Trad., pp. 11-53). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lovecraft, H.P. (2017). H. P. Lovecraft: medo clássico. Rio de Janeiro: Darkside Books.

Lovecraft, H.P. (2017). Contos, Volume 1 / H. P. Lovecraft. São Pauo: Martin Claret.

Sociedade dos Psicólogos Promove Semana Gratuita Sobre Saúde Mental

Em janeiro é realizada a campanha Janeiro Branco – Pacto Pela Saúde Mental e, visando apoiar essa iniciativa, a Sociedade dos Psicólogos está apresentando uma semana com lives e conteúdos gratuitos voltados à comunidade.

Então temos psicólogos, psicanalistas e coachs que vão falar sobre bem-estar, qualidade de vida, estresse, manejo das emoções, violência, e autoconhecimento – tudo com uma linguagem simples e buscando contribuir para a saúde de qualquer pessoa.

Então convide pai, mãe, irmã, sogra, cunhado, amiga, chefe… todos são bem-vindos nessa semana 😉

PROGRAMAÇÃO

APRESENTAÇÕES

As apresentações aconteceram na nossa página de Facebook. Estão disponíveis por lá e também no nosso canal de YouTube

Abertura e 1ª apresentação com o Psicólogo Caio Henrique Ferreira da Costa (CRP 06/147859), que abordou conceitos como felicidade e bem-estar sob a ótica da Psicologia Positiva.
Com o Psicólogo Caio Cesar Rodrigues de Araujo Santos (CRP 06/139621), que falou sobre a importância das várias especialidades frente a compreensão e intervenção para com a saúde do ser humano.
Com o Psicanalista Eduardo Santos, que explorou como as emoções, sentimentos e afetos interferem na nossa saúde e dia-a-dia.
Com Lisiane Fachinetto, psicanalista, professora universitária e doutora em Educação pela USP, que abordou a sobrevivência psicológica para além da sobrevivência física frente à pandemia.
Com o psicólogo e psicanalista Igor Banin Bezerra da Silva (CRP 06/135177), que abordou questões como “Todo mundo precisa de terapia? Todo mundo merece terapia? Todo mundo consegue fazer terapia?”
Com o Master Coach Kaíque Ferreira que explorou possibilidades práticas sobre atividades para realizar em casa, que podem contribuir com a sua saúde mental.
Com a Psicóloga Bruna Barreto Passarelli (CRP 06/163942), que compartilhou reflexões sobre como o trabalho influencia e afeta a nossa saúde mental e, principalmente, nosso sentimento de felicidade e realização decorrente dele.
Com a Psicóloga Paloma Afonso Martins (CRP 06/142277) que abordou temas como vulnerabilidade, rede de apoio e tipos diferentes de violência.
Mesa redonda de encerramento da semana, com o time da Sociedade dos Psicólogos

Conheça 3 Benefícios Psicológicos da Vacinação em Massa

Se a Pandemia trouxe um agravamento dos sintomas e dos quadros de Transtornos Mentais no Brasil, a vacinação poderia, como seu inverso, trazer benefícios?

Confira 3 Benefícios Psicológicos que a Vacinação nos traz.

A vacinação contra a Covid-19 já é uma realidade. Esperamos que seus benefícios também o sejam.

O ano de 2020 foi marcado como o ano da Pandemia de Covid-19. Em 2021, esperamos, teremos o ano das vacinas contra a doença. Pensando nestas, preparei este texto para falar sobre 3 Benefícios Psicológicos das Vacinas e das campanhas de vacinação.

Caso você procure mais informações sobre o que foi, como começou e os principais aspectos da Pandemia de Covid-19 em 2020, acesse o megatexto que preparei a respeito com tudo sobre o assunto àquela época. Clique aqui para ler.

1 – Planejamento: “Depois da vacinação eu vou…”

Um benefício psicológico da vacinação é a possibilidade de realizar planejamentos para depois dela.

A possibilidade de fazer planos, programar uma rotina, um roteiro e, portanto, pensar no futuro, foi um direito que a Pandemia tirou da grande maioria das pessoas: o direito de se organizar mentalmente.

Quando temos uma data ou, como é o caso atual, uma programação para finalmente termos datas, se torna possível saber:

  • Uma data em que se poderá fazer uma viagem de lazer e/ou trabalho;
  • Imaginar uma data no futuro para visitar parentes, amigos e pessoas importantes com quem temos afeto, das quais precisamos nos afastar;
  • Estimar, mais ou menos, quando participar ou organizar uma festa importante;
  • Quando será possível voltar ao trabalho/aulas presencialmente, entre outras coisas.

Certamente isso permite com que não haja apenas um conjunto de incertezas catastróficas em nossa mente, o que não produz uma boa perspectivas de afetos, sentimentos e emoções a respeito de nosso futuro.

2 – Superação: O maior benefício é saber que superamos o pior momento.

Há benefício psicológico melhor do que a sensação de dar um golpe certeiro no Coronavirus?

O home-office virou uma realidade, o atendimento psicológico online se tornou a rotina (teve até passo-a–passo para os psicológos e pacientes que não conheciam ainda esta modalidade).

Ir ao mercado se tornou uma perigosa aventura; agora, o simples ato de tomar cerveja em um barzinho que não estivesse vazio, converte-se numa nova espécie de sexo casual desprotegido entre pessoas desconhecidas; o transporte público torna-se a versão 2020 daquele banheiro de rodoviária, onde o maior desafio é adentrar e não tocar em nada. E o pior de tudo: não há para onde correr por tempo indeterminado.

Três das frases que eu mais escutei no consultório durante o ano de 2020 foi: “Eu não aguento mais essa Pandemia“, “Parece que isso nunca vai acabar” e “Parece que nada do que fazemos está adiantando”. Contudo, estas frases trazem um simbolismo importante: não havia um horizonte de SE e nem de QUANDO teríamos algum tipo de respiro. Por isso presença das vacinas nos deixa saber de 3 coisas muito importantes:

  • Não estamos mais “desarmados contra o vírus e a doença;
  • Todo ou parte do esforço que fizemos, deu resultado;
  • Uma hora isso vai acabar.

Apesar de atualmente o Brasil ainda enfrentar um dos piores momentos da Pandemia, não iremos mais passar por isso por tempo indeterminado. Se há um horizonte na vacinação, então o pior já passou. Pois agora mais motivos para voltar a lutar com toda a força. Há agora sonhos com um futuro melhor.

3 – A Esperança é mais do que um benefício psicológico: é um privilégio que a vacinação nos dará.

Dos 3, o maior benefício psicológico da vacinação é a possibilidade de esperar, de sonhar, e de esperançar por um futuro melhor.

Um dos grandes efeitos psicológicos desta Pandemia foi a drástica diminuição da possibilidade de pensar positivamente a respeito do futuro e da felicidade; a redução exponencial de nossa capacidade de ter esperança em tempos futuros.

Paulo Freire dizia que a palavra esperança nada teria a ver com o verbo “esperar” e sim com “esperançar”. Se a primeira tem como sinônimo o verbo “aguardar”, a segunda certamente amplia este significado quando se aproxima mais do verbo “animar”. Por sua vez, animar vem do latim Anima (alma). Ou seja: animar é “dar alma”, portanto: “dar vida” a algo ou alguém.

Há vacinação! Podemos ficar animados! Mesmo rodeados pela morte, será possível enchermo-nos de vida: ao menos em pensamento!

Com a esperança poderemos:

  • Planejar: e por isso teremos mais organização em nossa rotina;
  • Superar: passamos por muita coisa, contudo, sabemos que o pior já passou;
  • Esperançar: agora é sim, possível dizer que dias melhores virão!

Profissionais de saúde da linha de frente terão prioridade. Mas em breve, psicólogos e outros profissionais da saúde também poderão se vacinar para que, logo mais, suas palavras de cuidado abandonem os efeitos do microfone sobre sua voz.

Esperaremos e esperançaremos com muito gosto este momento, mas não só o nosso e sim o mais importante de todos: a notícia da última pessoa, da última lista, ter sido vacinada com sucesso.

Contamos com todas e todos!

Por Caio Cesar Rodrigues

Este texto foi uma adaptação da publicação “3 Benefícios Psicológicos das Vacinas“. Todos os direitos autorais foram preservados e não serão requisitados, pois trata-se de uma edição livre, gratuitamente compartilhada por seu mesmo autor.