Preocupados com o bem-estar dos funcionários, empresas investem em programas de bem-estar. Mas, o que esperar deles? 

Saiba o que é o Programa de Bem-estar corporativo e seu principal objetivo.

Prestes a completar quase dois anos do início da pandemia de COVID-19, muitas empresas já entenderam que a saúde emocional dos seus funcionários é um tema que tem ganhado cada vez mais espaço nas agendas corporativas.  

Segundo matéria da CNN feita em setembro de 2021, desde 2020  cerca de 576 mil pessoas pediram afastamento do trabalho por transtornos mentais e comportamentais. O número revela uma alta de 26% em comparação ao ano de 2019, dizem dados da Secretaria Especial da Previdência e Trabalho. 

Frente a um cenário em que muitos foram obrigados a sair do escritório ou ambiente presencial e compartilhar seu dia a dia de trabalho com a família e o ambiente doméstico, a sobrecarga de trabalho e a dupla jornada de trabalho estão presentes em grande parte das queixas dos funcionários (e pacientes com diagnóstico de Burnout). Por isso, ter uma empresa preocupada com o bem-estar de seus funcionários e que propicie ações e programas que busquem o equilíbrio psicológico deve ser alvo de atenção, principalmente daquele que buscam um melhor ambiente de trabalho.  

Mas, afinal, o que esperar de um Programa de Bem-estar? 

Pesquisa da consultoria Willis Towers Watson (WTW) apontou que, de 2015 para 2021, houve um aumento de 33% no interesse das empresas de implantar ações de saúde e bem-estar na rotina de seus colaboradores.  

Dessa forma, os programas de bem-estar podem ser definidos como ações coordenadas entre si, geralmente sob responsabilidade de coordenação da área de Recursos Humanos, com o objetivo de promover a saúde integral e a felicidade dos colaboradores. Ao abordar saúde integral, entende-se que a empresa promove ações que impactam positivamente e trazem ganhos para os diversos pilares da vida social do funcionário (familiar, financeiro, emocional, físico, entre outros). Assim, o programa apoia as pessoas a mudarem comportamento e estilos de vida, dentro e fora do ambiente de trabalho.  

Quais são os benefícios do programa? 

Sentir-se bem no trabalho e ter um ambiente de segurança psicológica está diretamente relacionado a uma melhor saúde e bem-estar. Com isso, mais possibilidade de exercer a criatividade, inovação e melhoria na produtividade. Comportamentos como maior comprometimento e engajamento em temas do trabalho também passam a ser mais frequentes e esperado. Aliado a este  bom ambiente de trabalho há também a possibilidade de ações voltadas para a prevenção da saúde física e emocional, gerando redução das doenças ocupacionais e, consequentemente, afastamentos relacionados ao trabalho.  

Sob a ótica do funcionário e usuário do programa, ter ações voltadas para sua saúde e esse olhar atento também possibilita um olhar cuidadoso para si mesmo, um espaço para incentivo ao seu auto cuidado e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.  

Quais exemplos se inspirar? 

Hoje existem muitas empresas no mercado divulgando publicamente suas iniciativas e programas de bem-estar.  

Um exemplo disso é o grupo Votorantim, que criou o programa online “Desafio VSaúde”, para estimular o engajamento e a participação dos funcionários em ações de exercício físico. Além da campanha, também houve o incentivo pela companhia para que todos realizassem exames de rotina com frequência para manter uma vida saudável. 

Outro exemplo que ficou muito conhecido foi o do Linkedin,  que decidiu conceder uma semana de folga remunerada para todos seus 15 mil funcionários pelo mundo. Antes da pandemia, a empresa já oferecia sessões semanais de yoga e mindfulness gratuitas no escritório, além de 20 terapias ao logo ano. Em julho, a empresa deu mais um passo e anunciou que todos os colaboradores trabalhassem meio período nas sextas-feiras durante os meses de julho e agosto. 

Exemplos como estes já estão vindo a público facilmente e com ampla divulgação, evidenciando o papel social das empresas, que vai muito além de prover o trabalho, mas também dar meios e condições para que todos tenham um ambiente saudável e relações equilibradas nos diferentes aspectos da nossa vida.  

Caso tenha interesse em conhecer mais sobre programas de bem-estar, fale com uma de nossas especialistas em Psicologia Organizacional e do trabalho.  

Bruna Passarelli

Fonte: CNN, Empresas ampliam programas de bem-estar em meio à preocupação com saúde mental. Disponível em https://www.cnnbrasil.com.br/business/sobe-33-o-interesse-das-empresas-em-criar-acoes-de-saude-mental-diz-pesquisa/

Sobre viver e navegar

Em algum momento percebi que a vida é um oceano. Longo, vasto, diferente dos mares que conhecemos nas praias, este não tem limite. Naveguei em uma embarcação familiar por muito tempo, ali cada um fazia sua parte e de alguma forma, cuidávamos uns dos outros mesmo em momentos de fortes tempestades ou grandes calmaria. Com algum tempo notava outros barcos, navios, balsas ou botes, cada grupo com seu meio de navegar, mas em algum lugar eu via pessoas à deriva, sozinhas ou distantes dos seus.

Passei algum tempo em terra firme, aprendendo a lidar com os imprevistos que acontecem em alto mar, e formas de auxiliar pessoas a encontrar equilíbrio em suas embarcações, as vezes até mesmo a como construir uma, essa foi minha formação como psicoterapeuta. Volta e meia estou lá em uma dessas escolas novamente, sempre há uma ferramenta nova para auxiliar um naufrago ou uma nova forma de fechar um buraco em um casco de barco.

Quando me tornei psicólogo, me foram dadas (ou construí) algumas ferramentas e técnicas que mudaram a minha forma de navegar. Aprendi a ter um olhar e uma escuta focada e atenta, alguém pode estar se debatendo na água bem do seu lado e você nem perceber a tempo de ajudar. Para maiores distâncias tenho uma luneta que me ajuda a ver, ajuda as vezes a encontrar uma embarcação ou porto seguro, onde o resgatado possa descansar e traçar sua nova rota. Gosto muito da habilidade de ficar em silêncio e escutar, o vazio do oceano pode no dizer muito, e assim também posso buscar compreender de onde vem e para onde vai cada uma dos que encontro, infelizmente alguns se perderam, sempre que posso ajudo com um mapa ou calculamos juntos a rota corrigir seu curso.

Tenho sempre a mão uma velha, mas muito boa boia salva vidas, em alguns casos não dá para mergulhar e ajudar, mas essa ferramenta traz lentamente a pessoa até a segurança, e esse tempo é até importante para que ela se acalme e possa aí se organizar e ir em frente.

Com o tempo me separei do grupo que me mantinha, construí minha própria embarcação, e hoje navego nas direções que acho mais importantes, independentemente de onde vá, sempre tem gente para conhecer, suas histórias me encantam, algumas me comovem, me sempre vejo que todos são capazes de encontrar aquele tesouro perdido, ou aquela ilha afastada que tanto procuram, em alguns casos fico feliz de fazer parte deste processo. O mar pode ser traiçoeiro, cheio de perigos, de tempestades e vis piratas, mas a cada dia me torno e acredito que você também, um marinheiro mais ágil, mais atento, mais hábil, e sei que alcançaremos mares mais tranquilos e estáveis. Com o tempo notamos que cada um tem sua forma de navegar, que alguns tem pressa, outros tem muita calma, alguns tem um objetivo muito bem definido, outros só querem aproveitar a vista, independentemente de onde o vento o leve. Conheci aqueles que não queriam mais navegar sozinhos, também conheci aqueles que querem aproveitar o som do oceano, da vida sem muitas pessoas por perto, e aprendemos a apreciar todas as formas de navegar.

O mar é lindo, sentir as ondas, ver as paisagens, conviver com a fauna, tudo isso pode ser muito bom, mas existem tempestades assustadoras, naufrágios trágicos, e até mesmo piratas por aí, e é natural que em algum momento tenhamos medo do que vamos encontrar por aí. Se eu puder ajudar na sua navegação, ficarei feliz, as cartas náuticas da Psicologia foram desenvolvidas para isso afinal, mas de toda forma, espero o melhor para você e todos nós.

De um psico-marinheiro da vida para todos os navegantes por aí procurando uma direção.

Por Psi. Patrício Lauro

Lista de Filmes e Séries Para Amantes da Psicologia

O que você gostaria que tivesse no seu serviço de streaming? (Ou que não saísse dele?)

A Sociedade dos Psicólogos preparou uma lista com os principais filmes e séries que abordam temas, diretamente, relacionados ao estudo do comportamento humano, como transtornos psicológicos, de personalidade, emoções, afetos, fetiches, homicídios em série, internações em manicômios e sessões de psicoterapia, por exemplo.

A ideia dessa lista é reunir os títulos e te lembrar daquele filme ou série que você ficou de ver e nunca viu 😉

FILMES

Estamira é um documentário de 2004 que mostra a rotina deplorável de uma moradora do lixão do Rio de Janeiro que ainda apresenta questões psicóticas. (Disponível no Globoplay)

SÉRIES

Sessão de Terapia retrata um psicoterapeuta ao longo de sua semana, atendendo pacientes e realizando também sua supervisão. (Disponível no Globoplay)
  • 3% (2016 – 2020)
  • After Life (2019 – )
  • Atypical (2016 – )
  • Bates Motel (2013 – 2017)
  • Black Mirror (2011 – )
  • Criminal Minds (2005 – 2020)
  • Dexter (2006 – 2013)
  • Freud (2020 – )
  • Hannibal (2013 – 2015)
  • House MD (2004 – 2012)
  • Lie To Me (2009 – 2011)
  • Maniac (2018)
  • Mental (2009)
  • Merlí (2015 – 2018)
  • Mindhunter (2017 – )
  • O Alienista (2018)
  • Perception (2012 – 2015)
  • Sessão de Terapia (2012 – )
  • Sherlock (2010 – 2017)
  • The Sinner (2017 – )
  • Você (2018 –)

E aí, quais desses você já viu? Qual é o favorito? Qual será o próximo? Qual ficou faltando?

Bom cineminha!!

Por Caio Ferreira

Psicanálise e Zen-Budismo: experiências do vazio

O que a Psicanálise tem a ver com o Zen?

Não é incomum encontrarmos discussões mundo à fora sobre possíveis aproximações entre a prática da psicanálise e práticas budistas, dentro e fora da tradição Zen. Minha ideia por aqui é pincelar algumas aproximações possíveis com o tema em termos de técnica e objetivo, de maneira nenhuma esgotando o tema e suas implicações.

O contato de Lacan com o Zen-budismo já se denota em seu comentário de abertura no seu primeiro seminário:

“O mestre interrompe o silencio com qualquer coisa, um sarcasmo, um pontapé.

É assim que procede, na procura do sentido, um mestre budista, segundo a técnica zen. Cabe aos alunos, eles mesmos, procurar a resposta as suas próprias questões. O mestre não ensina ex-cathedra uma ciência ja pronta, dá a resposta quando os alunos estão a ponto de encontrá-la”

(Lacan, 1953-1954/1986, p. 9)

Me agrada muito essa passagem inicial e penso que podemos comentar diversos aspectos a partir dela, em termos teóricos e práticos.

Primeiro, a comparação da maneira de transmissão entre Psicanálise e Zen-Budismo, sempre responsabilizando o sujeito em sua busca na análise, por meio da escuta do analista e suas intervenções.

Penso também que a primeira frase diz muito do trabalho de Lacan no sentido de “abrir uma fala, interromper um silêncio” em termos de inovações na Psicanálise de origem francesa.

Lacan não dava ponto sem nó.

Ensō

Um primeiro conceito que vale a pena mencionar é o Ensō, uma palavra japonesa que significa literalmente “círculo”. Ele é fortemente associado ao Zen-Budismo, simbolizando Iluminação, força e o vazio.

O símbolo é normalmente desenhado em uma pincelada só, demonstrando o estado expressivo daquele que toma o pincel naquele momento. Um pouco como a abertura de cada sessão de análise, dado que o paciente pode “começar por onde quiser”.

Aprender a realizar um Ensō é mais uma atividade de meditação do que uma atividade de caligrafia. O que se busca com o desenho é ressaltar o caráter meditativo presente em qualquer atividade. Ressalta a possibilidade de expressar sua liberdade, limpar a mente (Mannox, 2020).

Normalmente é representado como sendo um círculo incompleto, remetendo justamente ao nosso caráter de incompletude, do mundo, de todos.

Pensando em termos de técnica, quando um psicanalista faz uma intervenção, ela deve ser precisa. Da mesma forma, o artista, quando cria o Ensō deve ter sua mente limpa: “Qualquer hesitação em sua mente, qualquer dúvida causará uma oscilação, um quadrado ou uma inconsistência” (Mannox, 2020).

Além disso, a noção de “conhecimento equivocado” referido no Zen-Budismo, diz um tanto da maneira como conduzimos as análises, sempre levando os pacientes à percepção de desejos conflituosos e incômodos (Parker, 2008/2020).

Uma definição que me agrada do Ensō é “A beleza da imperfeição”, ou ainda “Imperfeição é a perfeição de tudo o que você faz”. Isso me remete imediatamente à relação que criamos com nosso próprio vazio, com nossa falta. A noção que a falta é constituinte, para mim, conversa muito bem com essa percepção budista.

No Seminário 9 (As Identificações), Lacan aprofunda a articulação de Psicanálise com a Topologia, trazendo à cena o Toro, representação topológica que ilustra a relação entre Desejo, Demanda e Identificação. Com o Toro, Lacan demonstra como a falta é de fato, constituinte e atua na Identificação com o outro.

Conhecermos nosso desejo e entender o que vale a pena perseguir é um dos objetivos da análise. Penso que esse sofrimento decorrente da busca do objeto a, é outro ponto de convergência entre Psicanálise e Zen-Budismo.

Existe um Eu?

“O inconsciente escapa totalmente a este círculo de certezas no qual o homem se reconhece como um eu”

(Lacan, 1954-1955/2010, p.17)

A noção de Eu na psicanálise remonta às discussões de Freud, chegando ao dualismo Je x Moi em Lacan.

Largamente discutido sobre diversos prismas em seu segundo seminário (O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise), a noção de Eu apresenta uma função constitutiva do sujeito e diferenciadora entre o Eu e o Outro. Ainda assim, é uma função essencialmente imaginária (Lacan. 1954-1955/2010).

Segundo o próprio Lacan (1954-1955/2010) “As falas fundadoras que envolvem o sujeito são tudo aquilo que o constituiu, os pais, os vizinhos, a estrutura inteira da comunidade, e que não só o constituiu como símbolo, mas o constituiu em seu ser” (p. 34).

Na perspectiva budista encontramos algo similar em relação à abordagem de si mesmo. Não apenas na busca do refúgio nas Três Jóias (Buda, Dharma e Sangha), mas também a noção de sofrimento decorrido do apego ao Eu pode ser encontrado nas Quatro Nobre Verdades, sendo elas:

A Realidade do Sofrimento (Dukkha), A Realidade da Origem do Sofrimento (Samudaya), A Realidade da Cessação do Sofrimento (Nirodha) e A Realidade do Caminho (Magga) para a Cessação do Sofrimento.

“Imagine, por exemplo, que você está sentado na esteira, mas, agora, procure por este eu ou pessoa. Descobrirá que não o encontrará nos agregados físicos e mentais. O eu não é nenhum dos quatro elementos, como as partículas que formam o corpo, por exemplo. Esses elementos não respondem pela pessoa; a sua união não é a pessoa; e, isoladamente, também não dão conta do ser. O eu é apenas um rótulo atribuído ao agregado de bases designativas e, por isso, existe somente nominalmente. As pessoas não existem independentemente e de forma inata e verdadeira.”

(Lama, 1991/2004, p. 207)

Pensando nisso, acho válido apontar um certo alinhamento de propósito na análise e no caminhar espiritual de Buda. Escutar o vazio, dissolver o Ego, o que parece impossível, é um pouco de onde se conflui Psicanálise e Budismo (Dunker, 2021).

Japão – Um desvio

Fazendo um desvio do budismo propriamente dito, sinto que é importante tocar muito brevemente em alguns aspectos da cultura japonesa que foram analisados por psicanalistas e me chamam a atenção.

O Haiku,(ou Haicai no Brasil) forma de poesia curta japonesa, normalmente de três versos, que tenta capturar um estado de percepção interna sobre o Ser, sobre a existência.

No haiku, o corte é a essência. Ele define a maneira como dois elementos se relacionam. Da mesma forma, na Psicanálise o corte define a significação. Sendo um corte suspensivo, mudando a cadeia significante que se apresentava até então, ou um corte conclusivo, encerrando a sessão. Apontamos assim para a falta-a-ser do paciente (Quinet, 2015).

“Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos”
(Millôr Fernandes)

Curioso também pensar nas palavras de Lacan quando dizia que não seria possível analisar os japoneses por sua relação com a linguagem, espontaneamente ligada à ambiguidade e poeticidade (Dunker, 2017).

Nas palavras do próprio, em seu famoso texto de introdução aos Escritos à época sendo publicados no Japão, intitulado Aviso ao leitor japonês (1972/2003): “Se não temesse o mal-entendido, eu diria que, para quem fala japonês, é um desempenho costumeiro dizer a verdade através da mentira, isto é, sem ser mentiroso” (Lacan, p.500)

Até a próxima,

Igor Banin

Referências Bibliográficas

Dunker, C. (2017) Como é a psicanálise oriental? In Falando nisso produzido por Buli, L & Bulhões, J. Recuperado em 01 de Outubro de 2021, de

Dunker, C. (2021) Psicanálise e o Zen. In Falando nisso produzido por Buli, L & Bulhões, J. Recuperado em 01 de Outubro de 2021, de

Lacan, J. (1953-1954/1986) Os escritos técnicos de Freud. (Os Seminários, Livro I). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lacan, J. (1954-1955/2010) O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. (Os Seminários, Livro II). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lacan, J. (1972/2003) Aviso ao leitor japonês. In Outros Escritos (pp.498-500). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lama, D. (1991/2004). O Livro da Felicidade: Um guia prático aos estágios de meditação. Rio de Janeiro: Ediouro.

Mannox, T. (2020) What is an Ensō? Produzido por Study Buddhism. Recuperado em 01 de Outubro de 2021 de

Parker, I. (2008/2020) Japão em análise: culturas do inconsciente. São Paulo: Benjamin Editorial.

Quinet, A. (2015) O Grafo do Desejo. Aula realizada no dia 12/08/2015 no FCCL-Rio. Recuperado em 01 de Outubro de 2021, de https://www.youtube.com/watch?v=LFrD1HtPeWE