A natureza chama a Psicologia e todo e qualquer indivíduo

A proximidade do ser humano a natureza, como compromisso de cuidado seu e da Psicologia.

“REIMAGINE. REICRIE. RESTAURE.”, este é o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente, neste mês de Junho de 2021.

Tema tendenciosamente curioso que pode despertar ao novo. Afinal, ele aparenta retratar sobre o recomeço. E recomeço do quê ou de quem? Do Meio Ambiente, claro! Mas principalmente da relação do ser humano com a natureza. Um convite para restabelecer esta relação através do gesto de cuidado, respeito, responsabilidade, consciência e principalmente, de reaproximação do homem a natureza.

De acordo com os últimos noticiários e depoimentos a respeito das mudanças climáticas e ambientais, “O clima não está bom… e vai piorar!”, título do artigo publicado pela Greenpeace, em Maio de 2021, faz referência a situação atual do Brasil. Segundo especialistas da organização, o país vivencia problemas vinculados ao “aumento de C02, poluição, chuvas em excesso, enchentes e inundações, deslizamentos de terras, aumento do nível do oceano, perda de espécies e secas em algumas regiões.”

E fica uma instigante questão? Qual é o sentido de abordar sobre o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente e de sinalizar sobre a problemática ambiental do país, em uma página voltada ao público cativado pela Psicologia e seus estudos?

O sentido desta curiosa ponte é que cabe a Psicologia estudar o homem enquanto ser biopsicossocial. E assumir a responsabilidade em cultivar práticas e ações que preservem a vida do ser humano, contribuindo para o gesto de autocuidado e de cuidador. E é nesta exata tarefa, que a Ecopsicologia retrata sobre a importância em minimizar comportamentos destrutivos e de negligência, que coloquem a natureza em risco, assim como a vida do homem.

Onde houver natureza, haverá vida humana. Mas onde houver vida humana, haverá natureza?

O homem se enquadra como o ser originário da natureza, assim como as árvores, os animais, a água, o ar e outros. Porém, será que o homem mantém condições de viver sem estas outras formas de natureza? Aparentemente, um tanto quanto distante e com certas dosagens dela, ele mantém condições de se sobreviver. A exemplo é possível citar a sociedade que em sua grande maioria reside em zonas urbanas, com rotinas extensas de trabalho e de proximidade aos aparelhos tecnológicos. Se distanciando assim, de zonas rurais ou de paisagens naturais. E claro, é desta forma que os indivíduos em sua grande maioria seguem vivendo, em paralelo a globalização que também vai ganhando cada vez mais vida.

E como contraponto, sabe o que também se amplia? Os problemas de saúde, transtornos mentais, questões como pobreza e desigualdades. A distância e o descuido com a natureza aumentam, o cuidado com a economia material e financeira se amplia, e a saúde se coloca em risco. A vida humana sem as outras formas de natureza se aproxima de limites. E esta é a uma das mensagens da Ecopsicologia, a fim de fortalecer a conscientização de que o ser humano enquanto homem que se assemelha a sua natureza ao seu redor. E que assim como ela, carece de cuidado, de atenção, de respeito, de conhecimento e autoconhecimento, de relação, de troca e de mudanças.

A natureza muda o tempo todo! E neste momento a perspectiva futura é de que ela seguirá mudando, mas não em uma condição infinita e controlável. Mas sim como tudo na vida, finita e carente de cuidado. Neste momento, estudos apontam que ela se encontra desprotegida, ameaçada, isolada e em risco. É preciso cuidá-la! Seu boletim médico se assemelha muito as estatísticas da sociedade. Parece que seus quadros são um tanto quanto parecidos. É preciso cuidá-los!

E como dá conta disso?

Usando ainda da analogia sobre avalições médicas, em alguns casos, pessoas que se deparam com a notícia de um diagnóstico ou a descoberta de um processo de adoecimento, tendem a negar a situação. Tendem a afastar-se dos gestos de autocuidado e se envolverem com ações mais destrutivas, mais prejudiciais, recorrendo até mesmo aos vícios, por exemplo. Assumir e aceitar o que ocorre consigo mesmo dói! Mas tende a doer mais ainda manter ações que ferem a permanência da própria vida. Negligenciar custa caro.

Mas e o que fazer? Assumir e aceitar aparentam ser ações difíceis!

O caminho é se aliar ao processo de se amparar de informações, esclarecer dúvidas, traçar novos objetivos e expectativas dentro das condições favoráveis, cultivar novos hábitos e seguir com as providências prescritas com gesto de confiança e esperança por uma evolução melhor. O caminho é de se aproximar desta situação, para sentir afeto e se vincular, assumindo a responsabilidade rumo às melhores mudanças.

A natureza adoece e o ser humano também. Mas um tem condições de amparar e de cuidar do outro. Mas é preciso “REIMAGINAR, RECRIAR E RESTAURAR“. E a Ecopsicologia parece ser a possível facilitadora para este recomeço e reparo desta relação. Suas práticas são terapêuticas, e mantem o homem próximo a SUA natureza, interna e externa. Ela é interdisciplinar e transdisciplinar. Ela é nova, mas sua missão vai de encontro com o conceito inicial da Psicologia, com o propósito de manter ações preventivas e de cuidado com a saúde biopsicossocial do indivíduo. Ou seja, nunca fez tanto sentido a Psicologia manter a devida atenção à saúde e se aproximar das questões ambientais da sociedade.

Este é o nosso momento.

Não podemos voltar no tempo. Mas podemos cultivar árvores, tornar nossas cidades verdes, renovar nossos jardins, mudar nossas dietas e limpar rios e encostas. Somos a geração que pode fazer as pazes com a natureza.

Vamos ficar ativos, não ansiosos. Sejamos ousados, não tímidos.

Junte-se a #GeraçãoRestauração!

Mensagem de campanha da World Environment Day

Como cultivar o cuidado da relação com a natureza?

  • Aproxime-se de conteúdos informativos ou de entretenimento que compartilham informações sobre o funcionamento, contexto atual e formas de cuidar do meio ambiente. Sites de artigos e notícias, blogues, filmes, documentários e séries são ótimos canais para resgatar esta relação com a natureza.

A informação favorece o processo de conscientização. E em paralelo, contribui para o manejo de afeto e vínculo com a situação, propiciando ao senso de responsabilização e de ação

  • Mantenha hábitos alimentares saudáveis, a fim de preservar recursos naturais que carecem de cuidado

  • Pratique atividades em locais de paisagens naturais. Mantenha-se atento e usufrua de seus detalhes

A prática de atividades físicas, principalmente em locais em contato com a natureza, promove bem-estar e contribuem para saúde.

  • Vincule-se às marcas, organizações e ações que investem neste compromisso de cuidado. E atente-se as instituições que potencializam os prejuízos ambientais

  • Permita-se conhecer mais sobre e Ecopsicologia e suas formas de atuação, seja como profissional e/ ou cliente deste segmento

  • Faça psicoterapia

É difícil dar conta de tudo! E muitas vezes compreender e mudar comportamentos que se apresentam prejudiciais muitas vezes também são atos com suas dificuldades. E a psicoterapia pode ser um caminho pra ajudá-lo a REIMAGINAR, RECRIAR E RESTAURAR.

Por Tayna Wasconcellos Damaceno

Referências

DOSS, E.; RODRIGUES, E. P.; BAVARESCO, A. M.; BAVARESCO, P. R. ECOPSICOTERAPIA: A NATUREZA COMO FERRAMENTA TERAPÊUTICA. Anuário Pesquisa e Extensão Unoesc São Miguel do Oeste[S. l.], v. 3, p. e19698, 2018.

Disponível aqui. Acesso em 11/06/2021


SILVA, K., & SAMMARCO, Y. RELAÇÃO SER HUMANO E NATUREZA: UM DESAFIO ECOLÓGICO E FILOSÓFICO. Revista Monografias Ambientais, 14(2), 01-12., 2015.

Disponível aqui. Acesso em 11/06/2021