O que a Dinamarca pode nos ensinar sobre felicidade

Nos últimos meses o tema felicidade tem me chamado atenção. Entre alguns livros que já li sobre o assunto, um em especial me chamou atenção: ” O segredo da Dinamarca – Descubra como vivem as pessoas mais felizes do mundo”.

Eliane Ratier: Livros- O Segredo da Dinamarca- Helen Russel

À primeira vista, este título me deixou curiosa. Que a Dinamarca era um país desenvolvido e que tem muito a ensinar, eu já sabia, mas o que será que o país que ocupa o 3º lugar no ranking de felicidade (World Hapiness Report), ficando atrás apenas dos seus países vizinhos (Finlândia e Islândia), faz de diferente dos demais?

Para medir o nível de felicidade, o relatório leva em consideração 7 dimensões, que também compõem um indicador chamado FIB (Felicidade Interna Bruta), conceito que nasceu em 1972, num pequeno país no Himalais, Butão, e posteriormente se espalhou pelo mundo a partir de iniciativas da ONU (Organização das Nações Unidas).

Para este ranking, os critérios considerados são:

  • PIB per capita
  • Apoio social
  • Vida saudável
  • Expectativa de vida
  • Liberdade
  • Generosidade
  • Ausência de corrupção

Tão intrigada como eu fiquei ao ler o título desse livro, a autora, uma jornalista inglesa também ficou ao se mudar com o marido para a Dinamarca. Ao descobrir que a Dinamarca fazia parte dos países escandinavos, considerados os mais felizes do mundo, ela começou uma pesquisa com os dinamarqueses para descobrir o que fazia ou contribua para a sua felicidade. Além do choque térmico e da língua dinamarquesa ser uma das mais difíceis de se aprender, a jornalista compartilha algumas dicas e lições aprendidas interessantes que podem nos inspirar nessa jornada em busca da felicidade:

  1. “Esqueça das noves às cinco”: Em um dos seus primeiros capítulos já é possível notar que a relação que os dinamarqueses têm com seus trabalho é diferente do que vivemos por aqui. Recentes estatísticas mostram que os dinamarqueses trabalham, em média, 34 horas por semana e ficar horas depois do expediente por conta de alguma demanda ou projeto pode, inclusive, ter o efeito contrário nos colegas de trabalho e ser encarado como um problema de produtividade.
  2. O lazer ocupa um espaço considerável na vida das famílias e entende-se como lazer qualquer atividade para apreciar a sua própria companhia e/ou a de seus amigos e família. Existe até mesmo um termo para isso: fique “hugge”, ou seja, lembre-se dos prazeres da vida através de pequenas coisas, como acender uma vela aromatizada, preparar um café para si mesmo e preparar uma refeição e receber os amigos em casa por longas horas (aliás, uma boa mesa de jantar dinamarquesa é aquela que tenha, pelo menos, 8 lugares para receber a família e amigos).
  3. “Faça você mesmo”: é muito comum que os dinamarqueses coloquem a criatividade em prática para produzir seus próprios utensílios. Faz parte do ensino das escolas incentivar essa prática e a colaboração.
  4. “Use seu corpo”: o esporte e a atividade física fazem parte do dia a dia dinamarquês a ponto de existir uma infinidade de clubes e todas as pessoas estarem vinculadas a, pelo menos, um. A prática de exercício físico não só uni as pessoas, mas também libera endorfina, apoiando na percepção de bem-estar.
  5. Confiança: os dinamarqueses têm um alto grau de confiança uns nos outros e, inclusive, em suas instituições públicas. A confiança é tanta a ponto de deixar o gerente do banco tomar as melhores decisões com o seu dinheiro mesmo sem te consultar e pedir sua autorização imediata.
  6. Imagine fazer parte de uma sociedade onde o Estado preocupa-se com o bem-estar social. Paga-se uma alta taxa em impostos (e os dinamarqueses pagam com orgulho), mas todas as escolas são públicas, e de qualidade, e o cidadão, mesmo que já empregado,  tem a opção de parar tudo e voltar a estudar para ter uma nova profissão, recebendo, nesse período, de 80% a 90% do que ganhava. Essas são alguns das práticas sociais que a autora descreve em seu livro.

Essas são algumas das lições que aprendi com o livro e me despertaram para o que já venho há muito tempo aprendendo com a Psicologia Positiva, o caminho para essa busca de bem-estar e felicidade não está em possuir coisas, mas sim em apreciar e balancear as experiências e os eventos, poisitivos ou não, que acontecem internamente e ao nosso redor. Confiar mais em si e adotar hábitos que tragam maior felicidade pode ser um bom começo para esse longo processo.

Referências e Recomendações

Com pandemia, Brasil fica na 41ª posição em ranking global da felicidade

FIB – Instituto Movimento pela Felicidade

por Bruna Passarelli

Motivação: Um mecanismo biológico que impacta nossas vidas

Falta de motivação também pode ser um problema biológico. Entenda como o ambiente alimenta um mecanismo biológico conectado a motivação e cinco dicas para a estimular em seu dia a dia.

A pandemia tem gerado inúmeras reflexões para cada um de nós. Uma delas, muito presente em discussões e estudos recentes, é a produtividade e a motivação. Que a produtividade de quem está em modelo homeoffice aumentou, não temos dúvidas. Mas, será que a motivação acompanha essa alta? E sendo a motivação tão importante para a nossa produtividade, é possível a estimular? 

Para responder essa pergunta, me peguei refletindo sobre o que é produtividade. Em qualquer busca online, encontro que produtividade “é uma relação entre o que foi produzido e os recursos empregados para se atingir tal objetivo”.

É fácil entender que, culturalmente, associa-se produtividade com a quantidade de atividades que alguém produz. E a qualidade, ou seja, o resultado daquilo que se produziu é deixado de lado ou não recebe a mesma evidência que o fator quantidade. Levando em consideração esse conceito, será que as pessoas Será que as pessoas continuarão a se motivar 

Quando estamos motivados, certamente nosso engajamento em certa atividade e produtividade aumentam, algo que podemos associar com o Estado de Flow, teoria já explicada por aqui pelo psicólogo Caio Ferreira. 

A motivação pode ser intrínseca, algo que vem de dentro de nós, e extrínseca, externo ao ser humano, aquele reforço presente no ambiente ou advindo das pessoas ao nosso redor. Seja qual for o tipo de motivação, uma dose de autoconhecimento se faz necessária para entender o que o ambiente pode nos oferecer e que irá alimentar nossa motivação

Daniel M. Cable em seu livro chamado “Vivo no trabalho”, de Daniel M. Cable, explora o conceito de motivação para além de variáveis físicas e emocionais conectadas a ela. Segundo o autor, a motivação não se restringe apenas aos nossos interesses. Há um mecanismo biológico conectado a ela, que quando compreendido e bem trabalhado pode potencializar a motivação e os resultados. 

O ser humano tem um mecanismo natural, chamado “seeking system”, ou em tradução livre “sistema de busca”. Esse modelo de comportamento e de reação neurológica faz com que sejamos motivados a explorar novos territórios para extrair significado deles e, com isso, aprendizado. Quando o sistema é ativado e a curiosidade despertada, o sistema neurológico libera um neurotransmissor em nosso corpo e células, chamado dopamina, responsável pela sensação de prazer e regulação de humor. A dopamina em conjunto com outros neurotransmissores, como a adrenalina e noradrenalina, alimenta um sistema de recompensas no corpo, como, por exemplo, o sono, a fome e o humor. 

Isso significa na prática que quando temos algo que desperta nossa atenção e curiosidade, somos impulsionados a responder esse estímulo, ressignificando o que nos é apresentado e, com isso, aumentando nosso interesse e motivação para encontrar novos estímulos que despertam novamente nossa curiosidade e liberem, novamente, as sensações de prazer em nosso corpo. 

Ideia que faz sentido e aparenta ser simples, mas difícil de ser implementada, pois não são raras as vezes em que precisamos ser produtivos (no sentido de quantitativo) e deixamos o piloto automático e a rotina tomar conta de nossos dias (a própria rotina cumpre um papel importante em nossa vida social moderna, pois nos economiza tempo e energia).

Então, o que fazer para estimular esse sistema de busca e aumentar nossa motivação?

Não existe uma receita de bolo para aumentar a motivação. Mas, se pudesse desenhar passo a passo, diria que em primeiro lugar é importante ser gentil consigo mesmo. Entender que a motivação pode estar ausente em alguns dias e se permitir dar uma folga é um passo libertador para não se cobrar tanto e evitar frustrações futuras. 

Em segundo lugar, aumentar a consciência sobre si mesmo. Isso significa entender o que te motiva e o que não motiva. Encontre um propósito para si mesmo. E ele não precisa ser algo grandioso, para a vida. Pode começar de forma tímida, levando em consideração o seu dia atual, talvez a próxima semana e com o passar do tempo se transformar em algo que tenha um horizonte maior.

Em terceiro lugar, permita-se expressar o melhor de si em seu dia a dia e com as pessoas que te cercam. Há estudos que afirmam que quando temos a oportunidade de exercitar nossos talentos e pontos fortes todos os dias, a probabilidade de obter maior satisfação com nossas entregas e desfrutar de melhor qualidade de vida aumentam em até três vezes. (Buckingham, Marcus, 2015)

Em quarto lugar, exercite olhar para o que te cerca sob uma ótica diferente do que você faria de costume. Inclua a curiosidade na sua rotina e valorize a diversidade, pois ela tem um grande poder para construir perspectivas inovadoras. 

Em quinto e último lugar, valorize a si mesmo e experimente aprender e ensinar coisas novas todos os dias. Somos eternos aprendizes e uma vez que nos reconhecemos como tais, a vida se torna uma jornada cada vez mais interessante e motivadora.  

Referências e Recomendações

Buckingham, Marcus. Descubra seus pontos fortes. Rio de Janeiro: Sextante, 2015.

Cable, Daniel M. Alive at work: The neuroscience of helping your people love what they do. Boston: Harvard Business Review Press, 2018.

Você conhece o Estado de Flow?

Zoom Fatigue: O que é esse esgotamento mental e como amenizá-lo

Por Bruna Passarelli

Zoom Fatigue: O que é esse esgotamento mental e como amenizá-lo

O termo “Zoom Fatigue” começou a circular pela mídia em 2020 e tem se intensificado cada vez mais devido a adoção e popularização das videoconferências

Desde março de 2020, quando nos vimos forçados a adaptar a rotina e relações sociais por conta da pandemia de COVID-19, o uso de aplicativos para vídeo conferência, como Teams, Google Meets e Zoom mais que duplicaram. Segundo pesquisa da CNN Brasil (2020), o download do aplicativo Microsoft Teams cresceu cerca de 500% em 2020, quando comparado o mesmo período em anos anteriores. 

Impulsionado pelo aumento no uso dos aplicativos de vídeo conferência, o professor Jeremy Bailenson, fundador do Laboratório de Interação Humana Virtual de Stanford (VHIL), examinou as consequências psicológicas de passar muitas horas por dia na frente do computador e plataformas de comunicação. Assim como o nome “Google” e “Twitter” se tornaram verbos com o passar dos anos, o termo “Zoom” (empresa estadunidense que fornece serviço de chamadas por vídeo, criada em 2020) passou a ser utilizado como um verbo genérico, sinônimo de reuniões. 

Jeremy identificou quatro causas, em nosso corpo e mente ,decorrente das exposições virtuais prolongadas que contribuem para o chamado “Zoom fatigue” também traduzido como o cansaço do Zoom.

  • Quantidade excessiva de contato visual durante uma reunião por vídeo conferência

Quando estamos em uma reunião com mais de duas pessoas e todas estão com suas câmeras abertas, fazemos contato visual com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, enviando estímulos excessivos ao cérebro, algo que não aconteceria no formato presencial, onde nosso campo de visão limita a quantidade de pessoas e de informações em um mesmo espaço de tempo.

  • Visualizar a si mesmo durante uma reunião é altamente estressante 

Já imaginou se alguém te seguisse fisicamente com um espelho e você pudesse observar a si mesmo a todo instante? Certamente lhe causaria um incômodo ou até mesmo um mal-estar. Mas, é o que acontece quando estamos diante de uma reunião, consulta, chamada com as câmeras ligadas. 

  • O dia a dia virtual reduz drasticamente a mobilidade 

Muitas vezes permanecemos por um longo período de tempo na mesma posição, seja por reuniões ou pelo dia a dia de trabalho virtual, algo que no numa rotina “normal” seria diferente, pois teria o deslocamento entre casa x trabalho, estudo, compromissos, etc. Assim, nossos movimentos são limitados de um jeito não natural. 

  • Aumento na carga cognitiva durante videoconferências

Durante uma chamada, nosso cérebro tem que trabalhar muito mais para assimilar os sinais verbais e não verbais emitidos por todos os envolvidos. 

Em uma conversa presencial, comunicações não verbais fluem naturalmente, ao ponto que raramente prestamos atenção em nossos gestos. No contato virtual, essa realidade já não se aplica como antes. A depender da mensagem que queremos passar, necessitamos dar mais ou menos ênfase aos gestos, expressões faciais, olhares, tom de voz, entre outros, o que nos exige mais atenção e, consequentemente, atividade cerebral. Por isso, além da exaustão, queixas em relação a dores de cabeça, dores musculares, olhos cansados e irritados também são comuns. 

Como encontrar um equilíbrio entre a demanda de interações virtuais e o bem-estar físico e emocional?

Entendendo alguns dos motivos que nos leva a esse estado de exaustão, é possível adotar algumas medidas práticas para amenizar seus efeitos: 

  • Estabeleça uma rotina onde você possa organizar suas tarefas, ter horários para as refeições e também pausas durante suas atividades;
  • Continue ou crie rituais que possam te ajudar a ter hábitos e rotinas saudáveis. Se antes você achava que seu dia só começava depois de tomar banho ou de uma xícara de café, mantenha isso mesmo estando em casa, por exemplo. 
  • Prepare o ambiente em que você passará grande parte do dia para que você se sinta bem e confortável. Isso vale desde verificar a luz do ambiente até questões de ergonomia. 
  • Estabeleça limites de horário para as suas diferentes atividades e compromissos. Encontrar um equilíbrio entre as nossas atividades também é importante, seja trabalho, estudo, obrigações de casa e/ou autocuidado. Todos são pilares importantes que merecem nossa atenção e tempo. 

E a Síndrome de Burnout?

Embora a Síndrome de Burnout e o Zoom Fatigue possam parecer semelhantes, não o são. O Zoom Fatigue é um estado de exaustão causado pela exposição virtual prolongada, enquanto que a síndrome expõe a complexidade das relações de trabalho e sentimentos negativos associados a ele.

A Síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico caracterizado pelo estado de tensão emocional e estresse provocados por condições de trabalho desgastantes, sejam elas físicas, emocionais e/ou psicológicas. 

O transtorno está registrado no grupo 24 do CID-11 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde) como um dos fatores que influenciam a saúde ou o contato com serviços de saúde, entre os problemas relacionados ao emprego e desemprego. A síndrome se manifesta, principalmente, em profissionais que têm envolvimento interpessoal direto e intenso e apresenta sintomas característicos como perda de interesse, isolamento, alterações de humor, dificuldade de se desconectar do trabalho, entre outros. 

Tanto a Síndrome de Burnout quanto o Zoom Fatigue são assuntos relevantes e cada vez mais presentes na vida dos brasileiros, trazendo efeitos negativos para os âmbitos individual e coletivo e, portanto, exigindo atenção dos profissionais da saúde e também organizações. O resgate da qualidade de vida e bem-estar individual não é só fundamental, mas possível. 

Por Bruna Passarelli

Referências

CNN Brasil. Videoconferências aumentam na pandemia. Abril, 2020. Disponível aqui.

Stanford University. Four causes of zoom fatigue and solutions. Fevereiro, 2021. Disponível aqui

Ansiedade: quando nossas emoções e pensamentos nos levam ao extremo

Com tantas transformações e avanços tecnológicos no mundo, você já parou para se perguntar o quanto precisou mudar em si para se adaptar ao novo?

ansiedade

Já pensou em todos os reflexos que essa pandemia irá deixar em sua vida num mundo pós COVID-19? O quanto sua vida, e saúde mental, foram impactadas por todas essas mudanças?

Não é de hoje que o mundo vem se transformando de forma acelerada e que somos constantemente bombardeados com novidades e informações. A cada segundo algo acontece no mundo e em questão de minutos, o acontecimento vira notícia. Em contrapartida, como telespectadores, nos sentimos na obrigação de estar a todo tempo conectados e, assim,
acompanhar o maior número de movimentos possíveis, um caminho fértil para alimentar as diversas ansiedades e frustrações e, contribuir para um desequilíbrio emocional.

Eventos imprevisíveis e coisas que fogem de nosso controle afligem muitas pessoas e talvez seja um fenômeno que veio para ficar. A realidade é que vivemos na Era da Informação, onde o conhecimento se tornou uma das maiores vantagens competitivas, as mudanças acontecem a todo instante e o sentimento de ambiguidade já faz parte do nosso dia a dia. É um cenário de muitas perguntas e poucas respostas e, junto a isso, as emoções afloram, nos lembrando que somos seres humanos, estamos vivos e não conseguiremos ter controle absoluto de tudo que nos cerca. Identificar essa vulnerabilidade pode ser o primeiro passo para desenvolver maior confiança e segurança em si, fatores que contribuem para administrar, também, a ansiedade.

Segundo pesquisa da IPSO , quatro em cada dez brasileiros têm sofrido de ansiedade como consequência do surto do novo coronavírus. As mulheres são as mais afetadas. Enquanto 49% afirma se sentir mais ansiosa, 33% dos homens estão lidando com os sintomas no momento.
Os dados fazem parte de uma pesquisa semanal, chamada Tracking the Coronavírus. Os resultados deixam o Brasil em primeiro lugar entre as nações ansiosas, seguido pelo México e Rússia. Se antes o brasileiro já era ansioso, e tinha suas diversas preocupações, as mudanças exigidas pelo novo vírus trazem ainda mais cuidados e precauções. Uso da máscara,
higienização, distanciamento social, excesso de atividades e papéis na vida diária, alteração de jornada e/ou regime de empresa e até mesmo o desemprego.

O contexto por si só oferece uma série de possibilidades e sintomas característicos de ansiedade e outros transtornos, como, por exemplo a depressão e o estresse. Por isso, atenção a algumas perguntas e sinais sobre o tema.

O que diferencia a ansiedade normal da patológica?
Segundo o especialista Dr. Márcio Bernik, em entrevista concedida ao canal do médico Drauzio Varella, as manifestações físicas ou mesmo as vivências emocionais da ansiedade patológica são as mesmas para todos, até mesmo naqueles que não têm o transtorno. A diferença é no grau de prejuízo funcional na vida e atividades cotidianas do indivíduo, como incapacidade em algumas tarefas antes realizadas normalmente e/ou sofrimento excessivo.

Quais os sintomas do distúrbio de ansiedade?
Segundo o manual de classificação de doenças mentais (DSM.IV), a ansiedade é um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”, persistente e de difícil controle, que perdura por seis meses, no mínimo, e vem acompanhado por três ou mais dos
seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono. Além disso, nesses casos, o nível de ansiedade é desproporcional ao acontecimentos gerados pelo transtorno, causando excessivo sofrimento e interferindo nas funcionalidades cotidianas do indivíduo.

Acho que posso sofrer de transtorno de ansiedade. O que devo fazer?
Uma vez identificado os sintomas, busque informação e ajuda profissional. Seus sintomas podem ser identificados para verificar a compatibilidade com aqueles presentes nos transtornos de ansiedade.

Recomendações:

Como todo ser humano, precisamos de tempo para digerir as transformações que acontecem em nossas vidas e, ao mesmo tempo, fazermos nossa própria gestão da mudança. Esse tempo será particular para cada um e algumas recomendações podem auxiliar. 

  • Numa sociedade cada vez mais conectada virtualmente e, com um excesso de informações em circulação, busque um período para se desconectar e cuidar de si. Se ao tentar, por vezes, você identificar que há muita dificuldade de relaxar, procure ajuda profissional para avaliar esse estado de tensão e ansiedade. 
  • Se você cobra muito de si mesmo, está sempre envolvido em inúmeras tarefas e pressionado por compromissos, tente equilibrar sua agenda e rotinas. Reservar um tempo para lazer é tão importante quanto o trabalho. 
  • Ao se sentir ansioso, busque alternativas para amenizar o sentimento. Uma possibilidade pode ser utilizar técnicas de respiração simples, mindfulness, disponíveis na internet e que podem ser feitas em sua própria casa.

Se identificado o transtorno de ansiedade, saiba que há tratamento. Procure ajuda profissional e não tenha vergonha de conversar a respeito. Comece hoje mesmo a cuidar da sua saúde mental. Conheça nossa rede de profissionais referências no tema.

Referências:

IPSOS: Dos 16 países, Brasil é o que mais sofre com ansiedade por causa da pandemia de coronavírus – https://www.ipsos.com/pt-br/de-16-paises-brasil-e-o-que-mais-sofre-com-ansiedade-por-causa-da-pandemia-de-coronavirus

Ansiedade em 4 perguntas | Marcio Bernik:
https://drauziovarella.uol.com.br/videos/em-x-perguntas/ansiedade-em-4-
perguntas-marcio-bernik/

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5.ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

Por Bruna Passarelli