(eBook) Modus Operandi: o ritual do serial killer

Foi lançado o e-book gratuito Modus Operandi: o ritual do serial killer, que é o primeiro de uma serie de e-books e conteúdos gratuitos produzidos pela Sociedade dos Psicologos.

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Modus Operandi

Modus Operandi (MO) é uma expressão latina que significa, em tradução, “modo de operar/modo de operação”. Esse termo é utilizado, com frequência, na perícia criminal para reunir padrões específicos empregados por alguém que comete uma série de crimes, sendo que costuma aparecer também enquanto uma parte do perfil criminal elaborado por um especialista.

O e-book aborda, em nível introdutório, a temática do MO; esclarece a diferença entre o psicopata e o serial killer; e apresenta 3 casos reais exemplificativos.

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As Psicologias do Psicopata: o crime e a personalidade

Assim como Ana M. B. Bock fala, e bem, sobre Psicologias no lugar de psicologia, torna-se muito adequado empregar a expressão em plural quando o assunto também diz respeito à psicopatia e, sendo assim, o seguinte texto busca mostrar um pouco do porquê disso.

Muito se fala sobre psicopatia, seja nos jornais, no cinema (serial killers), best-sellers, na academia, na área da saúde e etc, e esse tema além de gerar terror e fascínio, também ganha modificações da ficção e das repercussões e gera confusão naquilo que diz respeito ao seu claro entendimento. Então, por onde ela é compreendida? / o que é a psicopatia e como ela se apresenta? / quais suas características? / como estudar, diagnosticar, prever, tratar??

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A Psicopatia no DSM-V

Uma das curiosidades iniciais é que ao buscar o termo no DSM-IV e DSM-V, este último, a versão atualizada de uma das principais referências internacionais para diagnóstico e tratamento das desordens mentais, a palavra psicopatia não é encontrada enquanto um transtorno descrito, mas aparece, juntamente à sociopatia, enquanto sinônimo do Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS). Sendo assim, percebe-se que a psicopatia guarda uma apontada relação com o TPAS, mas seriam a mesma coisa?

Para tentar compreender a situação, é necessário voltar à origem do termo e analisar suas transformações.

O Termo Psicopatia

Olhando para a história, encontramos que o termo já foi utilizado de forma genérica para sinalizar diversas patologias mentais, até ser, como nos dias de hoje, associado ao comportamento e a personalidade antissocial.

“Foi (Emil) Kraepelin quem cunhou o termo personalidade psicopática em 1904, incluindo nesta categoria os casos de inibição do desenvolvimento da personalidade, tanto na esfera afetiva como na volitiva, e, também, alguns casos iniciais, fronteiriços de psicose”

(Shine, 2000, pp. 14-15)

Falar de psicopatia ainda é um assunto de divergências entre literaturas e um terreno nebuloso de solo instável quando se busca um consenso científico, haja visto o termo sociopatia, empregado pelos behavioristas, que vem apontar o papel das contingências de aprendizagem, por meio do reforçamento e punição, ou seja, a importância do meio para a construção do quadro. Este termo é aceito e utilizado por alguns livros, mas completamente excluído por outros.

“alguns médicos e pesquisadores, assim como a maioria dos sociólogos e criminologistas que acredita que a síndrome é forjada inteiramente por forças sociais e experiências do início da vida, preferem o termo sociopatia, enquanto aqueles, incluindo este autor, que consideram que fatores psicológicos, biológicos e genéticos também contribuem para o desenvolvimento da síndrome geralmente usam o termo psicopatia”.

(Hare, 2013, p. 39)

Dentro da ótica psicodinâmica, existem diversos conceitos que já foram empregados por autores distintos e se relacionam, em algum nível, com a temática exposta, como: personalidade psicopática, caráter psicopático, caráter antissocial, caráter impulsivo, organização psicopática da personalidade, tópica do psicopata, perversão de caráter, comportamentos dissociais, tendências antissociais, perversão e perversidade, entre outros…

Embora os termos variem bastante, eles costumam fazer referência a um ponto padrão, que é a questão do comportamento antissocial, isto é, a presença constante de atos que vão contra as normas e instruções sócio-culturais partilhadas por grupos e comunidades. Os atos delituosos, transgressores e cruéis são considerados antissociais e seu aparecimento na infância relaciona-se com o conceito de tendências antissociais, proposto pelo psicanalista inglês D. W. Winnicott e fenômeno confirmado com a análise do desenvolvimento de diversos psicopatas e serial killers.

O Psicopata e o Serial Killer

Neste momento, vale a pena frisar a diferença entre o psicopata e o serial killer. Quando se fala em psicopatas e psicopatia, ainda que o termo possa ser observado por diversas e distintas óticas, faz parte da área da saúde e diz respeito ao funcionamento de personalidade de acordo com instancias psíquicas, cerebrais e/ou comportamentais. Já o termo serial killer é próprio do campo da criminologia e diz respeito a uma modalidade de assassinato. Em resumo, podemos encontrar serial killers que não são psicopatas e psicopatas que não são serial killers.

Vale dizer que os motivos que levam aos crimes e aos assassinatos não são exclusivos da psicopatia e também são observados em outros transtornos de personalidade, bem como no considerado funcionamento normal da personalidade.

No curso de As Psicologias do Psicopata, oferecido pela Sociedade dos Psicólogos, apresentamos e discutimos os fenômenos que levam indivíduos de personalidades neuróticas, perversas e psicóticas a apresentarem comportamentos antissociais. Foi percebido que a contribuição do estruturalismo, apresentado pela psicologia Lacaniana à nível de estruturas de personalidade e da relação desta com o objeto de desejo, guarda não só fortes relações com a psicopatia (quando correspondemos ao conceito de perversão), mas nos parece ter facilitado, enquanto aporte teórico-didático, na compreensão desta por meio dos participantes dos cursos.

Psychopath Checklist Revised (PCL-R)

Outro método de avaliação da psicopatia foi feito por Robert D. Hare, chama-se Psychopath Checklist Revised (PCL-R), tem grande consenso internacional, foi adaptado no Brasil por Hilda C. P. Morana e está validado desde o ano 2000.

“A Psychopath Checklist permite a discussão das características dos psicopatas sem o menor risco de descrever simples desvios sociais ou criminalidade ou de rotular pessoas que não tem nada em comum, a não ser o fato de terem violado a lei. Ela também fornece um quadro detalhado das personalidades perturbadas dos psicopatas que se encontram entre nós”.

(Hare, 2013, p. 48)

A PCL-R (também conhecida como Escala Hare) é composta por: manual de critérios para pesquisa; caderno de pontuação; roteiros para entrevistas e informações; e protocolos. Por meio dela são pontuados critérios emocionais e comportamentais como: falta de empatia; eloquente e superficial; ausência de remorso ou culpa; enganador e manipulador; impulsivo; problemas de comportamento precoces; entre outros, que resultarão, quando somados, em um grau de psicopatia ou não referente à um indivíduo específico.

O Cérebro do Psicopata

Outro tópico fundamental para a compreensão das Psicologias do Psicopata diz respeito aos aportes e descobertas da neurociência, que vem apontando padrões encontrados no funcionamento cerebral de psicopatas.

Já ouvi por mais de uma vez que “o psicopata não tem emoção”. Trata-se essa de uma falácia que muita gente acredita, mas que não é verdade. O psicopata tem emoção e pude confirmar com várias análises que fiz sobre a expressão facial da emoção de psicopatas durante relatos de seus atos. O que o psicopata geralmente não tem (vale dizer que alguns estudos já mapearam exceções) são sentimentos de culpa e remorso.

Em resumo, a literatura aponta para falhas no funcionamento do córtex pré-frontal e em suas conexões com a amigdala – região do sistema límbico considerada o centro emocional do cérebro. As perturbações nessas estruturas resultam em deficiências na função executiva, isto é, planejamento, controle inibitório, tomada de decisões e controle social, por exemplo, conduzindo a uma maior agressividade, impulsividade e manifestação de comportamentos antissociais.

A História de Charles Manson

Conheça um pouco sobre a vida de um dos mais conhecidos criminosos dos EUA, com vídeo que a Sociedade preparou.

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Referências consultadas

American Psychiatric Association (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed.

Bock, A. B. M.; Furtado, O. & Teixeira, M. L. T. (2013). Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva.

Casoy, I. (2014). Serial killer made in Brazil: histórias reais, assassinos reais. Rio de Janeiro: DarkSide Books.

Hare, R. D. (1973). Psicopatia: teoria e pesquisa. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos.

Hare, Robert. D. (2013). Sem consciência: o mundo perturbador dos psicopatas que vivem entre nós. Porto Alegre: Artmed.

Goleman, D. (2012). O cérebro e a inteligência emocional: novas perspectivas. Rio de Janeiro: Objetiva.

Morana, H. C. P.; Stone, M. H.; Abdalla-Filho, E. (2006). Transtornos de personalidade, psicopatia e serial killers. Rev. Bras Psiquiatr., 26, 74-79.

Shine, Sidney K. (2000). Psicopatia. São Paulo: Casa do Psicólogo

Por Caio Ferreira

Leia também:

 

Psicopatia e Perversão

Entre o DSM e a Psicanálise

O Psicopata é uma figura que intriga a todos, muitas vezes pelo apelo que carrega ao ser retratado em filmes e seriados de televisão. Em geral, é retratado como vilão, mas todos torcemos por ele.

Hoje falaremos um pouco sobre as visões destoantes que as ciências da mente têm sobre a psicopatia e suas interseções com a noção de Perversão em Psicanálise. Focarei neste trabalho as concepções freudiana e lacaniana da Perversão.

Em Psicanálise, pensamos a perversão enquanto uma saída possível de uma fase do desenvolvimento infantil chamada “Complexo de Édipo” — período determinante para a organização psíquica do sujeito, que vai estabelecer formas de relação da criança com o mundo e, mais especificamente, com os limites. Como diríamos em termos psicanalíticos: a castração.

O Psicopata e o Perverso

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(Imagem retirada da Internet)

Na visão do DSM, o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (ou em lusitano, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) — A Bíblia da Psiquiatria — , a personalidade de um psicopata estaria associada ao chamado TPA, ou, Transtorno de Personalidade Antissocial.

Lembremo-nos de que: a maneira como se faz o diagnóstico é distinta entre as práticas psiquiátricas e a Psicanálise. Quando se usa um dispositivo como o DSM, se exime o papel do terapeuta (ou psicoterapeuta) da cena. Ele é apenas o aplicador de um método empírico, cientificamente testado e aprovado.

Em Psicanálise, se faz o diagnóstico a partir da relação transferencial estabelecida entre analista e analisando (ou paciente), isto é, pensa-se a diagnóstica pela forma como o paciente se coloca (e coloca o Outro) em sua fala. O analista está metido na relação de cura, não é um observador de fora. Na ciência psicanalítica, uma aproximação comum acontece entre a Psicopatia e a Perversão, estrutura clínica pensada por Freud e revista por Lacan. Falamos de perversão aqui enquanto uma das três (hoje quatro) estruturas clínicas clássicas.

Antes de avançarmos mais no tocante à perversão em si, vamos elucidar o conceito de estrutura em Psicanálise. Lacan, apoiando-se na corrente de pensamento estruturalista, postula a noção de modalidade (específica) de transferência, isto é, como o sujeito se coloca em relação ao Outro. De onde fala, para quem fala. Como fala. O psicanalista francês definiu três estruturas clínicas clássicas: Neurose, Psicose e Perversão (hoje fala-se no autismo como uma quarta, distinta da psicose).

Em termos técnicos, falamos também em economia de gozo, ou seja, para cada sintoma (estrutura), há um modo de satisfação específico. Este sintoma é pensado a partir de como se configuram as relações edípicas daquele sujeito e a saída propriamente dita do Complexo de Édipo (clave basilar da clínica freudiana, e da chamada “primeira clínica lacaniana”).

Para além das estruturas, falamos em tipos clínicos específicos. Na neurose, temos a Histeria, a Obsessão e a Fobia. Na Psicose, encontramos a Esquizofrenia, a Paranoia e a Melancolia. Do lado da Perversão, podemosver o Sadismo — ligado ao prazer de infligir dor ao Outro, destrui-lo, despedaçá-lo; o Masoquismo, relacionado a ser atacado pelo Outro, por sofrer; e o Voyeurismo, prazer em ver e presenciar atos sadomasoquistas.

O perverso se configura como um sujeito que está para além do limite, ou pelo menos, para além do limite do neurótico. Ao contrário da Neurose, fundada com base no Recalque, o perverso age a partir do que chamamos de Negação, ou Desmentido. Ele não aceita a castração. Permanece em uma posição que Freud chamou de o “Rei Bebê”, aquele que tudo pode, sem limites ou retraimentos.

O perverso, portanto, “triunfa” imaginariamente sobre a castração, obtendo prazer em apontar para o neurótico como ele (perverso) vai para além da fantasia. Ele encontra-se, nesse sentido, “preso ao gozo, fora do registro do desejo” (Cunha, 2016, p. 95).

Fetiche

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(Imagem retirada da Internet)

A forma como o perverso encontra para lidar com a castração, ou a falta (que originariamente é a falta no Outro), é o fetiche — um substituto imaginário-simbólico.

Na visão freudiana, o fetiche tem o propósito e significado de ser um substituto do pênis da mãe. No momento em que o menino percebe que a mãe é castrada, ele entende que seu próprio pênis está em perigo, portanto, a significação do falo é transferida para outro atributo ou parte do corpo. É a negação, negação da falta — sintoma estruturante da Perversão.

Não é possível determinar por qual razão determinada parte do corpo, ou situação específica, é cristalizada enquanto fetiche pelo sujeito. Freud supôs que no processo onde a criança vê (literalmente) o órgão genital da mãe, ocorre o processo de negação da diferença sexual e o sujeito estabelece como fetiche o momento justamente anterior. Um exemplo, seria uma mulher se despindo, o que mantém o ato de tirar a roupa (anterior à percepção da diferença sexual) como única forma de prazer.

Freud propunha uma visão, por vezes, demasiadamente literal. Lacan, quando revê o edifício teórico freudiano, entende que a falta que o perverso encontra e não aceita no corpo da mãe, é significativa da incompletude como um todo, relacionando-aàs situações e relações de perda que a criança vai experienciar na vida.

Pensando lacanianamente, o perverso nega que o Outro seja um sujeito, um sujeito do desejo (incompleto, faltante) e o transforma em objeto, que não é desejante. Pois se este Outro fosse desejante, significaria que ele (perverso) não é o objeto de completude do Outro. Em contrapartida, o neurótico busca essa completude no mundo, em alguém, em uma profissão, em algo.

Portanto, “O pervertido relaciona-se não com outra pessoa num encontro intersubjetivo, mas com um cúmplice tratado como objeto subjetivo e coagido a representar a situação fantasiosa do pervertido” (Pajazckowska, 2005, p.66).

O sujeito perverso “joga” um véu, um feitiço (daí a palavra fetiche) sobre o objeto de desejo, conseguindo estabelecer um canal único de gozo, sem variantes.

Perversão e Perversidade: Aqui está o Psicopata?

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(Imagem retirada da série de televisão Hannibal)

A palavra perversão é muitas vezes usada de forma descabida, portanto devemos distingui-la de termos semelhantes, mas com um sentido totalmente distinto. Como por exemplo: perversidade.

Neste momento estamos pisando em ovos. Tocamos por vezes em diferentes montagens da moralidade. O que podemos chamar de “perversidade ordinária”está associada ao Mal, como corrupção ou vontade de transgredir à lei.

Encontramos, tanto perversos que exercem a perversidade com ausência de culpa, quanto neuróticos (ou falsos perversos) que sentem satisfação em se fazer “instrumentos da lei” — que gostam de aplicar a lei. Muitas vezes, porque sentem que foram lesados em um momento anterior de suas vidas.“Bato porquê me bateram”.

Desta forma, um Serial Killer, um assassino em série, pode ser localizado tanto em uma estrutura perversa, como psicótica. O que varia é a modulação discursiva encontrada: O quê faz? Por quê faz? Como faz?

Até a próxima.

PS: Se você quer saber mais sobre Perversão e Psicopatia, participe do nosso próximo curso, “As Psicologias do Psicopata”, que acontece no dia 23 de Setembro!

Por Igor Banin

Referências

Dunker, C. (2016) Qual a diferença entrePerversão e Perversidade? In Falando nisso produzido por Buli, L & Bulhões, J. Recuperado em 21 de Agosto de 2017, de https://www.youtube.com/watch?v=WpWWsTJxhjQ

Cunha, E. L. (2016). O Homem e suas fronteiras: Uma leitura crítica do uso contemporâneo da categoria da perversão. In Revista Ágora. (pp. 85-101). Rio de Janeiro.

Freud, S. (1927/1996). O Fetichismo. In O Futuro de uma Ilusão, o Mal-Estar na Civilização e outros trabalhos. (pp. 151-164, Obras completas de Sigmund Freud, v.21). Rio de Janeiro: Imago.

Pajazckowska, C. (2005). Perversão.  Conceitos da Psicanálise, v.18. Rio de Janeiro: Segmento-Duetto.

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